Com o vídeo publicado nesta quarta-feira, 24, a duas horas do jogo do Brasil na Copa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro cria um marco na direita brasileira: coloca-se de maneira definitiva e agora escancarada como nova líder de um grupo político.
Em uma gravação dividida em duas partes, com 27 minutos e 18 segundos ao todo, Michelle lê um texto em teleprompter de forma natural e emocionada.
No estilo Nikolas Ferreira — só faltou o fundo preto —, aborda a divisão da direita no Ceará e o apoio do PL a Ciro Gomes para revelar que está sem se falar com Flávio Bolsonaro.
Michelle menciona “ataques covardes” e fala em “punhalada”, mas evita a vitimização. Associa todas as suas ações às decisões do marido, a quem chama de “meu galego”, sem se colocar, portanto, como protagonista. Faz referências ao perdão e a Deus de maneira suave.
O alvo de Michelle não são apenas o deputado André Fernandes, presidente do PL no Ceará, os enteados e bolsonaristas que construíram influência política e financeira a partir dos Estados Unidos. Ela fala para quem quiser ouvir.
Michelle usa expressões fortes — o texto foi cuidadosamente pensado —, mas evita ataques duros. Traz relatos que falam por si, como quando, segundo ela, Flávio a teria tratado mal em uma ligação, afirmando que ela “não entendia nada de política” e que “tinha chegado ontem”.
Com uma oratória simples e envolvente, apesar da longa duração do vídeo, Michelle recupera um sentimento político que ajudou Jair Bolsonaro a chegar ao Planalto em 2018. Critica os enteados por priorizarem a política em detrimento das relações pessoais e afirma duas vezes que “não negocia convicção por aliança pragmática e oportunista”.
Para quem ainda tinha dúvidas sobre a força política de Michelle, a gravação foi mais surpreendente do que os 3 a 0 do Brasil sobre a Escócia.
Michelle claramente mira nas mulheres do PL, mas alcança um público muito mais amplo. O impacto da fala não será sentido apenas no Ceará nas próximas semanas, mas também na campanha de Flávio Bolsonaro e em disputas futuras.
Nasce o “Deus, pátria e… família sem enteados”.