1º de setembro de 2026 ficará conhecido, em Brasília, como o “Moraes Day”.
André Mendonça decidiu, nesta data, levantar o sigilo do processo que investiga, no âmbito do escândalo do Banco Master, a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
O teor de mensagens encontradas no celular apreendido com Vorcaro revela, segundo a investigação, uma relação de aparente profunda intimidade entre o banqueiro e o ministro do STF.
Mas há mais.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, ainda em andamento, Vorcaro teria montado uma espécie de “rede de influência” nas instâncias de poder — e Moraes apareceria como uma das conexões dessa estrutura.
Brasília está em polvorosa, com o STF mergulhado em um clima de guerra. As reações internas da Corte podem, inclusive, esbarrar na eleição presidencial, como o PlatôBR já noticiou.
Mendonça defende uma sessão “pública, transparente, presencial” do plenário do STF para analisar o caso. Enquanto isso, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, fala em “abuso de autoridade” por parte do ministro e vislumbra a possibilidade de nulidade de ordens.
O PlatôBR resume os principais pontos da ação, que tem 218 páginas:
— Encontros: as mensagens sugerem que Vorcaro e Moraes se encontraram algumas vezes, inclusive na véspera da prisão do banqueiro.
— Pedido de proteção: Vorcaro enviou a Moraes uma mensagem na qual afirmava precisar da “proteção” do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
— A fuga do país: em outra troca de mensagens, Vorcaro pergunta a Moraes se teria de deixar o Brasil. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, perguntou o banqueiro ao ministro dois dias antes de 17 de novembro de 2025, uma segunda-feira, quando acabou preso pela PF ao tentar embarcar em um jato particular.
— “Dívida de vida”: em outra mensagem, Vorcaro afirma ter uma “dívida de vida” com Moraes: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com a sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser”.
— Edição do contrato de R$ 131 milhões: Alexandre de Moraes editou o contrato de R$ 131 milhões firmado entre Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro, segundo registros apresentados na investigação. O escritório Barci de Moraes afirmou que o setor de compliance solicitou informações ao ministro, “na condição de marido”, sobre eventual existência de impedimentos legais.
— Atraso em pagamentos: Vorcaro demonstrava preocupação e irritação com atrasos nos pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes. Em uma das mensagens, afirmou que o contrato era “o mais importante que temos” e cobrou que os pagamentos não voltassem a atrasar.
— Cartões de crédito para filhos de Moraes: Vorcaro autorizou a emissão de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos de Alexandre de Moraes, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes. O pedido teria sido feito pelo escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
— Aeronaves: Vorcaro negociou a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como parte de um segundo contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes. As aeronaves foram utilizadas pela família do ministro do STF.
— A saudade de Gonet: em outro trecho, Paulo Gonet diz sentir saudades de Vorcaro, a quem se refere como uma “máquina”. O banqueiro teria autorizado o custeio das despesas do filho do procurador-geral da República em uma viagem a Londres para participar de um evento jurídico. A viagem incluía hospedagem em hotel cinco estrelas e degustação de uísque Macallan. “Pedrinho filho do PG pode ir tb?”, perguntou um funcionário de Vorcaro. “Óbvio”, respondeu o banqueiro.

