O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem buscado, cada vez mais, manter distância da polarização existente no país entre o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Motta recebeu de Lula o convite para participar do ato que marca o 8 de Janeiro como data símbolo da tentativa de golpe de Estado, mas avisou na noite desta segunda-feira, 5, que não comparecerá.
Motta, no entanto, não explicitou a Lula os reais motivos para a ausência. A avaliação do presidente da Câmara é que o ato não representa o conjunto de partidos que compõem a Câmara e identifica que é mais um “ato do petismo”, em contraposição ao PL, partido que tem muitos de seus membros presos, entre eles o ex-presidente, condenados pela tentativa de golpe.
Na avaliação do presidente da Câmara, partidos do Centrão, como sua própria legenda, o Republicanos, além do União Brasil, do MDB, do PP, entre outros, não estarão presentes e, nesse contexto, o evento será mais um ato dentro da polarização entre Lula e Jair Bolsonaro.
Motta, ao longo de 2025, se envolveu em momentos tensos com o partido de Lula, ao ponto de romper conversas com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). Ele também foi duramente criticado pelo PT e pela siglas mais alinhadas à esquerda por causa do encaminhamento de propostas como a dosimetria das penas dos condenados pela tentativa de golpe e a blindagem de parlamentares de ações na Justiça, além do episódio de retirada à força do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) da mesa diretora da Câmara.
A ausência de Motta não representa um rompimento com Lula. Ao contrário do afastamento ocorrido no final do ano passado devido ao forte desgaste insuflado nas redes sociais por perfis apoiadores do governo, o presidente da Câmara está em rota de convergência com Lula.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também não comparecerá ao ato organizado pelo Palácio do Planalto.
