Eleita deputada federal por São Paulo com 114.552 votos, Natália Boulos (PSOL) chegará à Câmara em 2027 prometendo não fazer uma estreia discreta. Em entrevista ao Política em Minutos, da LeoDiasTV em parceria com o PlatôBR, ela disse que pretende construir identidade própria no Congresso, apesar da inevitável associação política e familiar com o marido, Guilherme Boulos. “Eu não vou chegar pedindo licença. Vou chegar para representar e honrar os votos que eu tive”, afirmou.

A deputada eleita apontou a representação feminina e a composição ideológica da nova Câmara entre os obstáculos que encontrará e elegeu mulheres, mães atípicas e moradores das periferias como públicos que pretende priorizar. A estreia eleitoral de Natália ocorre num Congresso de baixa renovação, tema que ela própria colocou no centro de sua leitura sobre a próxima legislatura.

Foi ao falar da distribuição de poder, porém, que Natália apresentou o argumento político mais contundente da entrevista. Para a psolista, um cenário em que um mesmo campo controle Presidência, Câmara e Senado e ainda exerça forte influência sobre futuras indicações ao STF (Supremo Tribunal Federal) representaria um risco institucional. “O pior para a nossa democracia é a gente ter um país com pensamento único”, afirmou.

Natália argumentou que considera mais saudável um Congresso que faça oposição ao presidente do que uma situação de ampla concentração de poder. Ao projetar mudanças constitucionais que poderiam ocorrer diante de maiorias parlamentares robustas, chegou a falar em “caminho de uma ditadura”.“O pior para a nossa democracia é a gente ter um país com pensamento único.”

Segundo a deputada eleita, um presidente que conte simultaneamente com maioria na Câmara e no Senado e tenha a possibilidade de indicar ministros ao Supremo Tribunal Federal produziria um cenário que considera prejudicial ao equilíbrio institucional. “É muito mais arriscado do que você ter um Congresso fazendo oposição ao presidente. Aí eu acho que você tem uma democracia com mais chance de funcionar”, argumentou.

Natália também defendeu uma autocrítica da esquerda, mas rejeitou a procura por culpados como finalidade de possíveis equívocos na campanha de 2026. “A esquerda e o nosso campo devem fazer um processo de autocrítica, mas não para repetir os erros”. Ao falar do próprio mandato, a intenção, segundo ela, é continuar “nas ruas, nas periferias, ouvindo as pessoas e nas mobilizações” e não apenas no gabinete que terá em Brasília.