O ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) chega nesta quarta-feira, 29, à sabatina na CCJ do Senado em clima de dúvida dos governistas em relação à sua aprovação. Líderes próximos ao Planalto, que chegaram a arriscar um placar de mais de 50 votos a favor do indicado pelo presidente Lula para a vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), passaram a prever na reta final um resultado mais modesto. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), arriscou ter “46 votos favoráveis, podendo chegar a 48”. Essa é uma aposta bem menos eufórica do que a de uma semana atrás, quando o Planalto contabilizava 52 apoios.
Um dos fatores que contribuíram para que o clima pesasse foi o vazamento do encontro reservado entre Messias e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na semana passada. O comandante do Senado esperava que a conversa permanecesse em sigilo.
Alcolumbre foi o principal opositor ao nome de Messias e se recusava a recebê-lo desde novembro do ano passado, quando Lula anunciou o nome do ministro para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. O presidente do Senado queria o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga e se mostrou chateado com a escolha de Lula. Na época, o petista preferiu deixar a poeira baixar para enviar a mensagem ao Senado, o que foi feito no dia 1º de abril. Aliados de Alcolumbre identificam no entorno de Messias a iniciativa de divulgar o encontro com o objetivo de demonstrar o apoio.
Um fato que fez o governo baixar a contabilidade nesta terça foi o posicionamento do senador Cid Gomes (PSB). Cid poderia ser um voto contado a favor de Messias, mas ficou chateado com sua substituição na CCJ diante da dúvida do governo sobre seu posicionamento. Na foto divulgada pelo PSB na tarde de terça-feira, 28, com políticos do partido expressando apoio a Messias, estão Rodrigo Pacheco, preterido por Lula para a vaga, o vice presidente, Geraldo Alckmin, o presidente nacional da sigla, João Campos. Embora seja líder do PSB no Senado, Cid não aparece na imagem.
Como ele não sinalizava se votaria contra ou a favor de Messias, o governo resolveu substituí-lo pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA). Outra mudança foi a troca do senador Sergio Moro (PL-PR) por Renan Filho (MDB-AL).
Lula tentou ao máximo evitar o azedume de Alcolumbre. Há cerca de 15 dias, ele conversou com o presidente do Senado sobre a indicação e ouviu que não haveria nenhum ato para atrapalhar a aprovação. O presidente do Senado, no entanto, não se comprometeu a ajudar.
A oposição tem aproveitado o clima desfavorável para inflar as posições contrárias. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a garantir a colegas oposicionistas que o presidente do Senado estaria contra Messias. “O Davi está com a gente”, afirmou. Messias escolheu o ministro da Defesa, José Múcio, para acompanhá-lo na sabatina. Os dois são pernambucanos. Múcio é um dos ministros com maior trânsito no Senado, inclusive com a oposição.
O voto é secreto e, com a perspectiva de placar apertado, qualquer detalhe pode fazer diferença. Independentemente das configurações partidárias, a decisão é do senador e o que o governo quer evitar é que os parlamentares usem o voto para passar um recado a Lula, nesse ano eleitoral, de que ele não está tão bem na relação com o mundo político. Na terça, para amenizar o clima, o governo também decidiu empenhar um montante de emendas parlamentares que, de acordo com senadores, chega a R$ 12 bilhões.