O presidente do STF, ministro Edson Fachin, admitiu nesta sexta-feira, 17, que o Judiciário está “imerso” em uma crise que precisa ser enfrentada sob pena de repetir “problemas novos, soluções velhas, que significam relegar os problemas sem resolvê-los”. Ao final de mais uma semana de confronto entre o Supremo e o Senado, ele falou sobre o período de instabilidade atravessado pelas cúpulas dos poderes em uma palestra para estudantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.
Fachin traçou um cenário de “desconfiança institucional” e “intensa polarização”. “Sempre que o juiz parecer estar atuando como agente político disfarçado de intérprete jurídico, perde-se a confiança pública”, afirmou, em uma crítica indireta a colegas do STF que se expõem em discussões midiáticas.
Desde que assumiu a presidência do Supremo, no final de setembro do ano passado, foram constantes os embates entre os dois poderes em diferentes assuntos, como as condenações dos golpistas e as investigações sobre emendas parlamentares. O clima foi, em certa medida, de crise permanente. Neste período, Fachin estimulou a adoção de um código de conduta no STF e procurou tomar medidas contra excessos na exposição pública dos ministros, que são frequentemente acusados de atuação política. Esse discurso ganha força em ano eleitoral, explorado para mobilizações puxadas por setores da direita radical para pedir impeachment de integrantes do STF.
À frente do Judiciário, ao mesmo tempo que agiu para afastar o tribunal da polarização política, Fachin procurou manter ativos os canais de contato com o Congresso. Ele tomou alguns cuidados para não alimentar as críticas sobre preferências políticas. Cumpriu o papel institucional.
Pluripartidário
No período de 30 de setembro de 2025 a 24 de março de 2026, Fachin realizou 24 encontros com deputados e senadores, tendo recebido 41 parlamentares. Foram 22 senadores e 15 deputados federais, além de 4 deputados estaduais. Com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foram 6 encontros.
Esses números levantados pelo gabinete evidenciam a regularidade e a continuidade na interlocução com o Congresso. O ministro também se preocupou com a diversidade partidária dos congressistas que recebeu. Ele se encontrou com representantes de 11 partidos políticos distintos: MDB, PL, União Brasil, PSD, Republicanos, PP, PSB, PT, PSOL, PDT e Podemos.
Fachin e Alcolumbre conversaram na terça-feira, 14, no auge do embate entre a CPI do Crime Organizado e os ministros que tiveram o indiciamento pedido pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Nesse contato, dentro do perfil institucional, Fachin defendeu os integrantes do STF e, depois, divulgou uma nota com o mesmo objetivo.