O novo secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Veloso, conhecido como Chico Lucas, pretende replicar pelo país projetos considerados exitosos de sua gestão na Secretaria de Segurança Pública do Piauí.

Segundo interlocutores, um desses projetos é o programa que reduziu em mais de 50% os roubos e furtos de telefones celulares, por meio do rastreamento dos aparelhos. A ideia é que todas as secretarias estaduais de Segurança do país tenham acesso as ferramentas que permitam replicar a iniciativa.

A medida é vista como uma resposta para crimes comuns que afetam a vida dos brasileiros, com potencial de refletir positivamente na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste ano eleitoral. A segurança pública é um dos pontos fracos da gestão petista e Lula quer do recém-nomeado ministro Wellington Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública) iniciativas que o ajudem a ter resultados para mostrar. A secretaria de Lucas é subordinada à pasta de Lima e Silva.

Chico Lucas também pretende ampliar a integração entre órgãos federais de segurança e controle, como PF (Polícia Federal), PRF (Polícia Rodoviária Federal) e Receita Federal, e as secretarias estaduais. A ideia é que medidas de combate ao crime organizado adotadas em âmbito federal possam também ser replicadas nos estados.

No Piauí, ele usou a mesma metodologia de investigação usada pela PF e pela Receita na Operação Carbono Oculto para identificar como o PCC (Primeiro Comando da Capital) estava infiltrado no setor de combustíveis do estado. As forças estaduais de segurança deflagraram a Operação Carbono Oculto 86 (o 86 é uma referência ao DDD do Piauí), que resultou na interdição de 50 postos, empresas de fachada, fundos de investimentos e fintechs suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Filiado ao PT, Lucas é graduado em Direito e, antes de ser secretário do governo do também petista Rafael Fonteles, foi presidente da seccional piauiense da OAB, passou pela Polícia Rodoviária Federal e trabalhou como procurador do estado. Sua entrada na política se deu no governo do hoje ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social). O novo secretário coordenou a campanha que elegeu Fonteles governador.