O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avisou a colegas no Congresso que não colocará em votação antes das eleições as propostas de interesse do governo que estão paradas no Senado. Entre os textos empacados, estão a emenda constitucional (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6×1, a PEC da Segurança e o projeto que estabelece um marco regulatório para a exploração de terras e minerais raros.
A intenção de segurar as prioridades do Planalto representa mais um ato de Alcolumbre no confronto travado com Lula desde a indicação do ministro Jorge Messias (Advogacia-Geral da União) para a vaga aberta no STF.
O aviso foi dado nesta segunda-feira, 29, informalmente, a senadores governistas diretamente interessados nesses projetos. Alcolumbre afirmou ainda que manterá sessões remotas no Senado até o início do recesso parlamentar, marcado para o dia 17 de julho. Ele chegou a dizer aos senadores que todo ano de eleição o funcionamento do Congresso ocorre dessa forma e que agora não será diferente somente pelo fato de o governo querer.
O presidente do Senado também avisou que cumprirá o compromisso firmado com o senador Paulo Paim (PT-RS) de realizar um debate público sobre a redução da jornada e que receberá em seu gabinete os representantes das centrais sindicais, da mesma forma que recebeu, em maio, representantes da indústria, contrários à aprovação do fim da escala 6×1. Também na quarta, ele receberá a deputada Erika Hilton (PSOL-AP), uma das autoras das proposta, no entanto, não deve ceder aos apelos para que a proposta entre em tramitação.
A discussão ocorrerá, mas as votações ou mesmo o início da tramitação estão descartados.