O silêncio de Alexandre de Moraes e de Gabriel Galípolo, diante da afirmação de que o ministro teria telefonado ao presidente do BC para interceder pelo Banco Master, foi mal recebida por outros ministros do STF. Dois integrantes da Corte ouvidos pela coluna disseram não acreditar que Moraes tenha falado a favor do banco do encrencado Daniel Vorcaro junto a Galípolo, mas relataram estranhamento com a ausência de manifestação pública após reportagem do Globo.
Houve incompreensão, sobretudo, pelo fato de Moraes não ter negado a ocorrência dos telefonemas. Para esses ministros da Corte, a falta de esclarecimentos prejudica a imagem do tribunal.
O suposto contato entre Moraes e Galípolo sobre o Master teria ocorrido, de acordo com o Globo, antes de o STF ter envolvimento formal com o caso.
O escritório de advocacia da advogada Viviane Barci de Moraes, casada com Moraes, mantinha um contrato de prestação de serviços com o Banco Master que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões por mês, por um período de três anos a partir de janeiro de 2024, num total de cerca de R$ 130 milhões. Com a liquidação do banco, os pagamentos teriam sido interrompidos.
(Atualização às 12h15 do dia 23 de dezembro de 2025: Alexandre de Moraes e o Banco Central divulgaram notas à imprensa na manhã desta terça-feira, 23. Por meio da assessoria do STF, o ministro afirmou que, em razão das sanções aplicadas a ele na Lei Magnitsky, recebeu Galípolo para reuniões, assim como a presidente do Banco do Brasil e executivos do Itaú. Moraes também disse ter se reunido conjuntamente com presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG Pactual e os vice-presidentes do Santander e Itaú. A nota do ministro não menciona o Banco Master. “Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito”. O Banco Central afirmou que “manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky.)
