Apesar dos apelos de senadores governistas e de centro e até de alguns membros da direita para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), paute a emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada 6×1, aprovada na Câmara na última semana, os sinais emitidos por ele são de pouca pressa e de que esse assunto deve ficar para depois das eleições. 

Na sessão desta terça-feira, 2, o presidente do Senado mandou recados diretos ao Palácio do Planalto, demostrando que pretende garantir uma rito mais lento à matéria, considerada urgente pelo governo. “Não me obrigue, não me ameace, não me ofenda, não me ataque”, disse Alcolumbre, ao discursar do alto da mesa diretora do Senado. “Estamos sendo empurrados a escolher um lado ou outro”, afirmou. “Eu vou com a minha consciência e com o meu coração decidir qual é o meu voto”, acrescentou. 

A reclamação de Alcolumbre se refere às pressões que vem sofrendo para não segurar propostas importantes que estão hoje em suas mãos. Duas delas são de interesse direto do governo: a PEC da Segurança e a PEC do fim da jornada 6×1. Para o presidente do Senado, o ideal é que isso não seja discutido nesse ano de eleições.

“Em um ano de debate eleitoral, de eleições gerais, muitas das vezes, o que é razoável não pode vir a tona por causa da eleição. Quero que a gente fique com maturidade institucional, com dever cívico e com a nossa consciência que cada um tenha o discernimento da importância da votação dessa matéria”, disse. 

Entre os que pressionam por celeridade estão os senadores governistas, entre eles Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, que não aceita colocar para votar uma proposta sobre o mesmo assunto apresentada pela oposição sem que Alcolumbre libere para a tramitação a PEC votada na Câmara. 

No plenário, Alcolumbre endereçou algumas respostas a presidente da CCJ. “Vamos fazer uma reunião na semana que vem, com líderes, principalmente com o presidente da CCJ, Otto Alencar. Ele tem o dever de discutir isso. Houve solicitações de vários senadores para criarmos uma comissão especial, inclusive de senadores sobre a possibilidade de ir direto ao plenário. Vai ter que tramitar nas comissões. Deve ter no mínimo uma comissão. Não podemos ser uma casa carimbadora”, disse Alcolumbre.