No mercado, o corte de juros de 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira, 17, do Copom (Comitê de Política Monetária) é dado como certo, em compasso com o ritmo de “calibração” defendido pelos diretores do Banco Central. Entretanto, a equipe liberada por Gabriel Galípolo enfrenta um dilema sobre como comunicará os próximos passos e os riscos que corre se a mensagem for mal-interpretada pelos agentes econômicos.
A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, resumiu esse impasse em relatório aos clientes. Segundo ela, a realidade de um cenário inflacionário mais desafiador deve levar a autoridade monetária a adotar uma postura estritamente dependente da evolução dos próximos indicadores econômicos para tomar uma decisão na reunião seguinte do Copom, marcada para 4 e 5 e agosto.
Com isso, Natalie espera um comunicado sem indicações explícitas para os próximos passos, no qual o comitê sinalizará que avaliará na próxima reunião se a continuidade dos cortes de juros ainda se mostra adequada. É nesse momento que surge o dilema da comunicação.
“Há, contudo, riscos importantes nos cenários alternativos. Uma postura mais rígida, com sinalização ou execução de uma pausa nos cortes já nesta reunião, teria o mérito de resgatar, pelo menos em parte, a credibilidade do Banco Central, mostrando que ele reage à deterioração dos riscos em vez de apenas focar no desejo de reduzir juros. Em contrapartida, insistir em um tom mais brando do que o esperado pelo mercado e ignorar a piora do cenário prospectivo para a inflação traria o risco de desancorar ainda mais as expectativas”, afirmou.