Para não repetir o que ocorreu na eleição presidencial de 2022, quando houve recorde de abstenções, a Justiça Eleitoral se mobiliza para conscientizar a população e ainda regularizar títulos irregulares antes das limitações impostas pelo calendário eleitoral. O prazo para normalizar os documentos e resolver as pendências apontadas pelo sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vence no dia 6 de maio. Ou seja: a corte tem pouco mais de dois meses para fortalecer a participação popular na corrida eleitoral deste ano.

A baixa eficácia das sanções judiciais previstas em lei, como aplicação de multas e restrições de direitos civis de eleitores irregulares, levou os tribunais regionais eleitorais a recalibrar a estratégia oficial de persuasão. Além das punições isoladas, campanhas educativas e plantões ampliados reforçam o planejamento focado na responsabilidade civil dos eleitores para estimular a presença nas urnas.

Um dos vetores para o desinteresse é a polarização política, a mesma registrada na disputa entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Embora estimule o engajamento de militantes, a radicalização também alimenta um efeito colateral: o desinteresse de quem não se identifica com nenhum dos dois lados. Se confirmado o cenário, a possível disputa entre Flávio Bolsonaro e o atual presidente neste ano pode repetir a baixa adesão de quatro anos atrás.

Nas eleições de 2022, o TSE registrou mais de 32 milhões de brasileiros que não votaram, o que corresponde a 20,9% do eleitorado, o maior índice desde 1998. Para agravar o cenário, a Justiça Eleitoral cancelou mais de 5 milhões de títulos de quem faltou nos três últimos pleitos. Ainda que represente 3,17% dentro do universo de mais de 159 milhões de eleitores, o número corresponde a mais de duas vezes a margem que garantiu a Lula a vitória sobre Bolsonaro na última corrida presidencial.