Golpistas têm copiado perfis de WhatsApp de advogados e procurado os clientes deles para achacá-los. O esquema é sofisticado e tem mobilizado a OAB nos estados. Só em São Paulo, foram 400 relatos de golpes, informou a OAB-SP à coluna.
Com dados como nome completo e número da OAB do advogado, os golpistas pesquisam em dados públicos de tribunais e sites jurídicos para localizar os clientes e as ações judiciais. Depois, conseguem os contatos desses clientes em bases de dados de origem desconhecida.
Pelo WhatsApp, dão parabéns pela “vitória” judicial e informam que o dinheiro do processo está liberado. Pedem os dados bancários do cliente para que seja feito o depósito. No entanto, afirmam que seria preciso pagar ante uma quantia X para um contador ou agente judicial para que o dinheiro possa ser depositado.
Na quinta-feira, 27, a coluna conversou com uma dessas vítimas, uma empregada doméstica no interior de Minas Gerais, que processa o estado há dois anos após ter sido baleada pela polícia no estômago.
O golpista a abordou dizendo que ela havia ganhado a ação contra o estado de Minas e que receberia R$ 158 mil. Mas, para isso, teria de pagar quase R$ 2 mil a uma contadora. A vítima, cujo nome será mantido em sigilo para sua segurança, chegou a mandar uma foto de seu cartão bancário.
“Eu fiquei muito feliz porque esse dinheiro ia chegar numa hora muito difícil”, contou ela, que está desempregada porque o tiro na barriga deixou, como sequela, fortes dores abdominais.
A mulher, que não tinha o dinheiro para pagar ao golpista, telefonou para toda a família para comemorar. Foi aí que viu em seu outro celular um recado do advogado, que contava sobre o golpe e pedia para os clientes não pagarem nada aos criminosos.
Embora o advogado, cujo nome também será preservado, atue em Minas Gerais e o prefixo do golpista fosse de outro estado, a vítima foi enganada porque a foto usada no perfil era a mesma usada pelo advogado em seu número verdadeiro.
A OAB de Minas Gerais divulgou um vídeo orientado seus advogados para que façam registros de ocorrência e avisem o mais rápido possível a clientela. A OAB-MG informou que está colaborando com o Ministério Público na investigação dos casos de falsos advogados.
Já a OAB-SP criou em fevereiro uma força-tarefa para apoiar as investigações. Levou à polícia os 400 casos de que tem conhecimento. Os golpes começaram em outubro, mas têm ganhado escala. A seccional paulista da Ordem também elaborou uma cartilha para clientes. Uma das orientações é que confiram o número de celular para garantir que estejam de fato falando com o advogado e que só façam pagamentos na conta bancária explicitada no contrato com o profissional.