O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), voltou a expor publicamente o desconforto com a influência do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), na política estadual. A principal crítica do emedebista, que já foi aliado de Dino, está relacionada à atuação do ministro em processos na corte que envolvem integrantes da política maranhense.

Ex-vice durante o período em que o ministro foi governador, Brandão afirmou que a disputa eleitoral no estado está “muito judicializada” e defendeu que Dino deveria se declarar impedido em processos relacionados ao Maranhão. “Eu entendo que o Supremo deveria ter uma questão de ética, nesse caso, onde você não pode julgar adversário. Não é justo que um juiz julgue um adversário”, afirmou em entrevista à revista Veja.

Um dos episódios que aprofundaram o desgaste entre os antigos aliados foi a decisão de Dino que determinou o afastamento e a prisão domiciliar do então secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim. Brandão afirmou desconhecer, até hoje, os motivos que levaram à decisão, já que o processo tramita sob sigilo.

A ruptura entre Brandão e Dino, consolidada no ano passado, tem como pano de fundo a sucessão estadual. O grupo político do ministro do STF apoia a candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao governo do estado, enquanto Brandão tenta eleger o próprio sobrinho, Orleans Brandão (MDB). A ruptura definitiva da aliança envolveu desavenças em indicações ao TCE (Tribunal de Contas do Estado), após o assunto parar nas mãos de Dino no Supremo.