Causou incômodo no TSE a decisão do ministro Nunes Marques, presidente da corte eleitoral, de criar um grupo de trabalho com o objetivo de estabelecer critérios a serem seguidos por servidores e colaboradores do tribunal no uso de suas redes sociais no período de campanha. Marques deu 30 dias para que o grupo apresente um relatório que servirá de base para a elaboração do ato normativo que poderá disciplinar a atividade dos funcionários. 

Para alguns servidores do órgão, os problemas em relação ao funcionamento da Justiça Eleitoral nunca estiveram no trabalho desenvolvido por técnicos do órgão que funcionou em eleições anteriores voltado para garantir, principalmente, a confiança no sistema de votação atacado por setores da política. A medida tem sido interpretada como uma tentativa de censurar manifestações políticas dos servidores.

A iniciativa de Marques foi tomada em um contexto de discussão sobre a conduta ética de magistrados na vida privada, espelhando a mesma onda estabelecida pelo ministro Edson Fachin, no ano passado, quando assumiu a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal). Fachin tem também enfrentado críticas de membros do STF que rejeitam a ideia de que ele deva estabelecer parâmetros para o trabalho dos integrantes da corte.

A ministra Cármen Lúcia foi escalada por Fachin para relatar o Código de Ética e defendeu a necessidade de reforçar os “parâmetros de comportamento alinhados aos valores constitucionais”. Ela considerou “inaceitáveis” as manifestações de juízes eleitorais nas redes sociais sobre a escolha pessoal de candidatos, partidos ou ideologias.