O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) tem feito mistério sobre sua possível candidatura ao governo de Minas Gerais, mesmo apresentando bons índices nas pesquisas de intenção de voto. Ele disse que somente decidirá se entrará na disputa em junho. Com o senador Flávio Bolsonaro (RJ) lançado como pré-candidato ao Planalto, o PL começou a pressionar Cleitinho para que ele tome uma decisão pelo menos até o fim deste mês. 

Flávio tem pressa em apresentar seu palanque em Minas Gerais, estado em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário, apontou o senador Rodrigo Pacheco (PSB) como seu nome ao governo. O pré-candidato do PL terá ainda que resolver alguns obstáculos para cumprir seu desejo de unir as forças de direita em torno de seu nome. Se Cleitinho aceitar ser candidato, o palanque estará encaminhado, com o deputado Domingos Sávio, recém filiado ao PL, como candidato ao Senado.

Se Cleitinho não aceitar, o PL mantém conversas com o atual governador, Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, além de mais dois nomes que acabaram de se filiar ao PL: Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), e Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim. Os dois se colocaram à disposição para encabeçar a chapa. 

No caso de Simões, outro nó precisa ser desatado. Apesar de dizer que quer o PL em seu palanque, o governador mineiro também anuncia que seu candidato à Presidência da República é o ex-governador Romeu Zema (Novo), que tem reafirmado que será candidato. Zema lançou Simões como seu sucessor assim que tomou posse no seu segundo mandato para o qual foi reeleito no primeiro turno. Além disso, Simões migrou para o PSD, partido que lançou no plano nacional o nome de Ronaldo Caiado ao Planalto.

Estrutura de campanha
O esforço do PL em Minas será de unir as candidaturas da direita já no primeiro turno, no entanto, a tarefa não está tão fácil para o partido comandado por Valdemar da Costa Neto. “Temos dois candidatos que a gente pode dizer que são de direta ou de centro direita: o governador Mateus Simões e o senador Cleitinho. Esses são os nomes com os quais nós temos conversado e há possibilidade de alianças ou, pelo menos temos o desejo, de que eles formem o palanque para Flávio Bolsonaro”, disse o deputado Domingos Sávio, que se lançou ao Senado nesta semana em um evento em Brasília. “O fato de Mateus ter Zema como candidato é um obstáculo a ser superado se a gente falar em caminhar junto no primeiro turno. Outro complicador é que Mateus está no PSD”, disse o deputado.

No caso de Cleitinho, o problema está mesmo na indefinição. “O prazo agora começa a afunilar. Deixar para junho é temerário porque é preciso organizar a estrutura de campanha. Eu acredito que o PL vai fazer um esforço para ver se até o final de abril ele define se é candidato”, disse. “Essa decisão não cabe a mim. Primeiro cabe ao Cleitinho decidir se é candidato e depois cabe ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e ao Flávio tomarem a decisão entre três alternativas que temos aqui em Minas”, explicou Domingos Sávio.