Se nos primeiros três anos do terceiro mandato de Lula os então ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil) disputavam o protagonismo no governo, após a reforma ministerial em 2026, o atual titular da Fazenda, Dario Durigan, ganhou os holofotes na defesa da gestão petista. Em sentido contrário, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, submergiu a um papel mais gerencial de governo, avessa a entrevistas.
Em pouco mais de dois meses à frente da pasta, Miriam tem encontrado desafios para a Esplanada dos Ministérios. Isso transpareceu após Lula iniciar a reunião ministerial desta quarta-feira, 3, com uma cobrança aos demais auxiliares de que devem prestar contas à chefe da Casa Civil. Como mostrou o PlatôBR, o “pito” foi interpretado como um sinal de fraqueza da ministra.
Durigan atua como porta-voz do governo em diferentes frentes. Ele liderou as negociações com os bancos para tirar do papel o novo Desenrola, divide com o ministro Bruno Moretti (do Planejamento) a articulação de medidas para enfrentar o aumento do preço dos combustíveis e defende as ações do governo de enfrentamento e combate à corrupção.
No imbróglio mais recente, em que os Estados Unidos decidiram classificar as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital e sobretaxar os produtos brasileiros com tarifas de até 37,5%, Durigan mais uma vez foi escalado para conceder entrevistas para defender a gestão petista e se colocar como um dos negociadores diretos com os americanos.