A decisão ainda não foi tomada pela equipe da campanha, mas há quem defenda, no entorno de Lula, que o presidente não participe dos debates na TV. O argumento é que, diante da possibilidade de vitória no primeiro turno, os esforços deveriam ser concentrados no uso da máquina pública, evitando riscos desnecessários.

Também pesa a avaliação de que, em uma eleição polarizada, marcada mais pela rejeição do que pela disputa de propostas, haverá pouco espaço para o debate de ideias e de uma agenda para o país.

Dois ministros ouvidos pela coluna, sob reserva, no entanto, discordam dessa estratégia. Avaliam que Lula só deveria abrir mão dos debates se a vantagem sobre o segundo colocado fosse muito maior do que a registrada hoje. “Seria uma estratégia muito arriscada”, disse um deles. “Ele poderia virar boi de piranha”, afirmou o outro.

Entre deputados do PT, não há consenso. “Debate com extremistas de direita? Tem de avaliar mesmo”, disse Rogério Correia, de Minas Gerais. Já Carlos Zarattini, de São Paulo, defendeu a participação: “O debate é vantajoso para nós”.