O STF (Supremo Tribunal Federal) define, nesta quarta-feira, 8, o julgamento que pode redefinir o cenário político do Rio de Janeiro após a renúncia de Cláudio Castro (PL). Uma parte da Corte considera viável a realização de eleições diretas, com participação popular, até meados de julho, três meses antes do pleito nacional marcado para outubro. O entendimento, no entanto, sofre resistências internas, e a formação de maioria dependerá da construção de um consenso em plenário.
A crise se aprofundou após o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) anular a eleição que conduziu Douglas Ruas (PL) à presidência da Assembleia Legislativa. A decisão atendeu à oposição, liderada pelo partido do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que apontou descumprimento de regras regimentais, especialmente pela realização da votação antes da recontagem de votos determinada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) após a cassação de Rodrigo Bacellar, então presidente do Legislativo fluminense. Com isso, a linha sucessória foi restabelecida e o comando interino permanece sob responsabilidade do desembargador Ricardo Couto, que acumula o cargo com a presidência do Judiciário estadual.
O episódio embaralhou a estratégia bolsonarista de ampliar a exposição de Douglas Ruas, nome que segue cotado para disputar o mandato interino e o governo estadual em outubro. O deputado estadual deve concorrer contra Eduardo Paes, que lidera as pesquisas de intenção de voto. A combinação entre a interinidade no Executivo e a campanha de outubro era vista como instrumento para projetar o deputado em meio à reorganização do campo bolsonarista no estado, após a inelegibilidade de Castro decidida pela Justiça Eleitoral.