Embora tenha divulgado que conta com a confiança de Lula, amigo há 40 anos, o senador Jaques Wagner (PT-BA) deve ter seu destino decidido em um encontro com o presidente previsto para acontecer ainda nesta semana. Na sexta-feira, 19, no primeiro discurso do presidente após a operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Lula não tocou no assunto.

O presidente ainda tem dúvidas. O silêncio a cada hora se mostra mais ensurdecedor aos ouvidos de uma ala do governo e de nomes do PT que resistem em amargar o desgaste de ter que defender Wagner diante das acusações sobre recebimento de vantagens indevidas de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Gabriel Vorcaro.

Na conta de parte dos petistas, o preço da dúvida de Lula é alto tanto do ponto de vista eleitoral quanto em relação ao funcionamento do governo. O partido tenta se livrar da pecha de corrupção depois de ter enfrentado os escândalos do mensalão e da Lava Jato e o presidente, para enfrentar esses temas de denúncias contra petistas, já tinha um discurso pronto.

Dirigentes do PT consideram que o benefício da dúvida dado a Wagner ocorreu em detrimento dos anseios do partido e do governo. O desconforto existe, embora uma nota do PT tenha manifestado confiança em Wagner, pois a permanência poderá render prejuízos eleitorais.

Comparação com Hargreaves 
Alberto Cantalice, membro do Diretório Nacional e presidente da Fundação Perseu Abramo, defendeu nas redes sociais a saída do líder. “O companheiro Jaques Wagner deveria pedir licença da liderança do governo no Senado. Isso em nada denotaria pré-julgamento. Seria inclusive, melhor para ele se defender”, postou na sexta-feira, 19.

Na postagem, Cantalice comparou esse caso a um episódio que envolveu Henrique Hargreaves, então ministro da Casa Civil de Itamar Franco. Ele foi afastado, em 1991, pelo presidente devido às acusações de envolvimento com o escândalo do orçamento, e reconduzido, em 1994, depois de ser inocentado pela CPI que funcionou no Congresso para investigar o assunto. “Sigamos o exemplo de Itamar Franco que ao ter o seu principal ministro e amigo Henrique Hargreaves acusado o afastou e depois o reconduziu”, escreveu Cantalice.