Anunciada para março, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos a convite de Donald Trump já movimenta os bastidores do Palácio do Planalto. Apesar da dita “química” entre os dois presidentes desde o primeiro encontro durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), há quatro meses em Nova York, os preparativos para o novo encontro estão cercados de cuidados especiais.
A diplomacia brasileira ainda não baixou a guarda em relação aos episódios em que Trump se mostrou agressivo durante visitas de chefes de Estado à Casa Branca, e se preocupa em preparar Lula tanto para um encontro mais ameno quanto para um cenário hostil, em que seja preciso reagir estrategicamente para evitar constrangimentos.
A data exata da viagem ainda não está definida, mas a intenção do presidente é ir a Washington após o giro por Índia e Coreia do Sul, marcado para o final de fevereiro, e antes de uma visita à Alemanha e à Espanha, marcada para abril.
Cooperação contra o crime organizado
Apesar das dúvidas em torno da atmosfera do encontro, em razão da conhecida imprevisibilidade de Trump, Lula já tem uma lista de assuntos que quer discutir com Trump. Um deles é a abertura de uma nova frente de cooperação entre Brasil e Estados Unidos com foco no combate ao crime organizado.
Esse assunto já foi objeto de conversa de Lula com Trump na conversa que os dois tiveram em dezembro do ano passado, após a Polícia Federal deflagrar a operação Carbono Oculto, que teve como alvo um esquema de adulteração de combustíveis operado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em parceria com empresas do setor financeiro que serviam para lavagem de dinheiro.
O presidente quer ainda tratar do que resta das negociações sobre o tarifaço e sobre as sanções impostas pelo governo Trump a autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre Padilha (Saúde). Apesar de a maior parte das tarifas extras já ter sido retirada, ainda há vários produtos, principalmente os de maior valor agregado, que pagam taxa de 40% para entrar nos Estados Unidos.
Convite para o “Conselho da Paz”
Também deve estar em pauta o convite para que o Brasil integre o Conselho de Paz criado por Trump e a sugestão de Lula, apresentada ao presidente dos Estados Unidos na última conversa que tiveram, na semana passada, para que o colegiado se restrinja à questão de Gaza, com participação da Autoridade Palestina. O Planalto não acredita que Trump vá levar em conta a sugestão, embora, no telefone, tenha demonstrado disposição para “refletir sobre o assunto”. Se a Casa Branca não aceitar esses dois pontos, o Brasil descarta aceitar o convite.
