Quase quatro décadas depois da promulgação da Constituição de 1988, um grupo cada vez mais restrito de parlamentares que participaram da Assembleia Nacional Constituinte segue em atividade no Congresso. Eleitos em 1986, esses políticos atravessaram a redemocratização, crises institucionais, mudanças no quadro partidário e diferentes ciclos de poder. Hoje, integram a 57ª Legislatura, em um Parlamento profundamente diferente daquele que integraram logo após o fim da ditadura.
Nas eleições de 2026, os caminhos desses ex-constituintes se dividem entre tentativas de continuidade, candidaturas a outros cargos e até uma aposentadoria. No Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) pretende testar novamente sua força política. Caso seja reeleito, ele chegará ao quinto mandato consecutivo como senador, o que o colocará como recordista de mandatos contínuos no Senado, casa que presidiu em três oportunidades. Renan segue relevante na política nacional e em Alagoas e, atualmente, é presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). No ano passado, foi relator do projeto que isentou do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil.
Hoje deputada federal, mesmo cargo que ocupava em 1989, Benedita da Silva (PT-RJ) planeja disputar uma vaga no Senado. Busca, assim, retomar o posto que ocupou no início dos anos 2000. Benedita foi uma das vozes mais simbólicas da Constituinte, especialmente nas pautas sociais. Em 2025, a deputada viralizou nas redes sociais após discutir com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a assinatura da Carta Magna, em 1988.
Também com mandato na Câmara, dois ex-constituintes baianos apostam na continuidade. Lídice da Mata (PSB-BA) e Sérgio Brito (PSD-BA) devem disputar a reeleição. Ambos tiveram trajetórias marcadas por idas e vindas no Legislativo. Lídice foi eleita prefeita de Salvador em 1992 e Brito esteve fora do Congresso por duas legislaturas.
O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) exerceu o primeiro mandato eletivo na Constituinte e tem o futuro ainda indefinido. Seu nome é especulado como possível candidato ao governo de Minas Gerais, mas a hipótese ainda não foi confirmada pelo partido. Outra possibilidade é tentar um novo mandato na Câmara.
Entre os remanescentes da Constituinte, a despedida das disputas eleitorais ficará por conta de Paulo Paim (PT-RS), o único do grupo que decidiu não concorrer em 2026. Senador desde 2003, Paim construiu uma trajetória marcada pela atuação em pautas trabalhistas e de direitos humanos. Ao PlatôBR, ele afirmou que seguirá na vida pública mesmo fora dos mandatos, com foco na formação de novas lideranças, de forma voluntária. “Acredito na renovação e quero me dedicar a isso. Não vou concorrer, mas não vou abandonar a vida pública”, disse.
