Após a decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de não encaminhar as pautas de interesse do governo antes das eleições deste ano, o presidente Lula apostará em um discurso de que somente sua reeleição será capaz de destravar a tramitação do fim da jornada 6×1 para que vire lei.
A pouco mais de três meses das eleições, com o país em clima de campanha, resta pouco a fazer. Interlocutores do governo indicam a disposição de Lula de deixar o impasse da 6×1 “na conta” do presidente do Senado. A posição comunicada por Alcolumbre a senadores nesta segunda-feira, 29, de que vai segurar as prioridades do Planalto torna improvável a perspectiva de um encontro entre os dois antes da votação de outubro.
O governo entende que o mote “Alcolumbre inimigo do povo” alcança bom arranque nas redes sociais. Por ter ainda mais quatro anos de mandato, o presidente do Senado não vai disputar eleição este ano e não demonstra preocupação em travar a aprovação de uma proposta que tem ampla aprovação popular.
“Esta é uma pauta que transcende o interesse do governo. Ela tem apelo popular. O discurso será de que é necessário reeleger Lula para consolidar o avanço da pauta trabalhista e terminar de aprovar o fim da escala 6×1”, disse um membro do governo ao PlatôBR após o aviso dado por Alcolumbre aos senadores.
Ampliação dos MEIs
A ideia é trabalhar o tema da 6×1 como uma tentativa de melhorar a vida dos trabalhadores. Com o mesmo propósito, o governo segue apoiando na Câmara, onde tem uma relação melhor com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), outras propostas voltadas para segmentos profissionais.
Nesta segunda-feira, Motta anunciou o recebimento de um projeto de lei enviado pelo Planalto que amplia o teto dos MEIs (Microempreendedores Individuais) e permite a contratação de mais um funcionário por empresa, parte de um pacote de medidas voltadas para trabalhadores de baixa renda.
Nesta segunda, Motta conversou com Lula sobre o tema e sinalizou que vai acelerar essa aprovação da Câmara. O cronograma de votação, no entanto, ainda não ficou acertado.