Se tem uma recomendação médica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu com gosto após o diagnóstico e a retirada de um câncer de pele no topo da cabeça foi o uso disciplinado de chapéu para cobrir a área da lesão. Desde que começou a usar o acessório como parte integrante do figurino, ele já juntou mais de trinta modelos, entre os tradicionais panamás e os de feltro escuro, como o preto da grife italiana Borsalino que usou pela primeira vez na reunião do G7, em Évian-les-Bains, na França, e repetiu na semana passada em Guarulhos (SP).

Amigo de longa data do presidente, o petista César Alvarez lembra que, mesmo antes da recomendação, Lula já gostava de usar chapéus. Quando veio a ordem médica, não foi difícil cumpri-la — e cumpri-la à risca. “Ele costumava chapéu no frio ou em caminhadas com muito calor. Agora, esse uso está mais intenso”, diz Alvarez, que já trabalhou com o presidente no Planalto e agora está empenhado na pré-campanha à reeleição, cuja oficialização está marcada para 2 de agosto, em São Paulo.

Outros conhecidos brincam com o presidente quando, em alguns programas, especialmente em áreas cobertas, o encontram sem chapéu. “Estou te achando menos charmoso”, Lula ouviu de um amigo que o acompanhava em uma viagem ao Nordeste. “A gente vai ficando mais velho e o cabelo vai rareando. Na mesma medida, o uso do chapéu vai aumentando”, emendou.

Há quem diga que, bem antes da recomendação médica, Lula tomou gosto pelos chapéus inspirado pelo também amigo Antônio Pitanga, ator e marido da deputada Benedita da Silva, com quem convive há décadas. A inclusão do acessório no figurino do presidente provocou uma corrida para presenteá-lo com modelos diferentes. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, outro amigo próximo de Lula, mandou um panamá. Para além do presente, passou a andar de chapéu também e distribuiu “chapéus do Lula”, como ele chama, a outros integrantes do Prerrogativas, o grupo de advogados simpáticos ao PT do qual é fundador.

Hoje, segundo pessoas próximas, dar um chapéu a Lula é o melhor gesto de aproximação. “Ele não resiste”, conta um amigo. No último carnaval, Lula saiu do Sambódromo do Rio de Janeiro com sete chapéus, vários deles dados por dirigentes das escolas de samba que passaram pela avenida naquele noite. A sugestão de presente partiu do então prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), que também é adepto do acessório. “Acho que o prefeito conseguiu ser mais puxa-saco do que eu”, brincou uma pessoa ligada a Lula e que o acompanhava na noite de folia.