Mais uma vez, integrantes do clã Jair Bolsonaro protagonizam um racha no campo da direita. O apoio de Eduardo Bolsonaro à candidatura do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, André do Prado (PL), ao Senado desencadeou uma crise familiar e política que atingiu o ex-presidente, mobilizou Michelle Bolsonaro e abriu novo confronto com o deputado Ricardo Salles (Novo).
Segundo relatos levados a dirigentes do PL próximos a Michelle, Jair Bolsonaro teria se irritado ao saber da articulação conduzida por Eduardo nos Estados Unidos em favor do aliado de Valdemar Costa Neto. O ex-presidente vinha defendendo nomes mais identificados com o núcleo ideológico do bolsonarismo, como o vice-prefeito da capital, Mello Araújo, e o deputado Mário Frias (PL), e passou a transmitir a interlocutores sua opinião contrária à indicação do presidente da Alesp.
A escolha de André do Prado foi costurada com a participação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e incluiu a promessa de que Eduardo ocupará a primeira suplência. Ao justificar a decisão, o filho do ex-presidente argumentou que a estrutura política de Prado, apoiada por centenas de prefeitos paulistas, poderá servir de base para um projeto nacional liderado por Flávio Bolsonaro.
A definição provocou reação imediata de Ricardo Salles, que acusa o grupo de ter cedido ao Centrão e mantém sua pré-candidatura ao Senado. Nas redes sociais, Salles e Eduardo trocaram ataques públicos, enquanto apoiadores do bolsonarismo passaram a questionar a aliança com o que chamam de “pupilo de Valdemar”. O grupo de Tarcísio tenta convencer o ex-ministro a desistir para evitar a fragmentação do voto conservador.
Ciro Gomes
O episódio disputou holofotes com outra desavença pública recente na direita. No Ceará, Michelle Bolsonaro voltou a criticar a possibilidade de aproximação do PL com Ciro Gomes. A mesma crítica ao palanque cearense, em novembro, fez Flávio censurar a madrasta e resultou no afastamento da ex-primeira-dama da campanha do filho “01” de Bolsonaro.
As novas crises, somadas a outras aparentemente superadas, como a disputa de Carlos Bolsonaro com aliados pelas vagas ao Senado em Santa Catarina, reforça a avaliação de que, a poucos meses das eleições, o primeiro desafio do bolsonarismo não é se contrapor ao governo Lula, mas superar a dificuldade de harmonizar interesses dentro da própria família e de seu entorno político.