A quinta fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal atingiu em cheio o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos mais influentes políticos do Congresso desde o início da década passada. Os mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do STF André Mendonça foram cumpridos pela PF nesta quinta-feira, 7.

Presidente nacional do PP e ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, ele é acusado de receber entre R$ 300 mil e R$ 500 mil de mesada do banco Master em troca de favores para Daniel Vorcaro.

As investigações apontam como prova da atuação do parlamentar uma emenda apresentada no Senado que estabelecia a elevação da cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto, segundo a PF, teria sido elaborado pela equipe do Master. Nogueira também recebeu vantagens como pagamento de viagens, hotéis de luxo e uso de imóvel de Vorcaro.

Oposição tenta reduzir os estragos
A operação da Polícia Federal impactou diretamente o grupo de Jair Bolsonaro. Nogueira até recentemente era apontado como um dos possíveis companheiros de chapa de Flávio Bolsonaro. Como primeira reação às investigações da PF, a oposição se empenhou na difícil tarefa de se distanciar do presidente do PP.

O fato de André Mendonça ter autorizado a operação tirou da oposição o discurso da perseguição política empreendida pelo Supremo em parceria com o Planalto, usado por exemplo contra o processo que levou às condenações dos responsáveis pela trama golpista. Depois das revelações da PF, a estratégia oposicionista foi caracterizar Nogueira como um político do Centrão que foi aliado de diferentes governos.

O encontro de Lula com Trump
Depois de meses de negociações, o presidente Lula se reuniu com Donald Trump em Washington na quinta-feira, 7. O encontro aconteceu depois de um período de aparente afastamento entre os dois, com sucessivas críticas ao americano feitas pelo petista, principalmente em relação à guerra no Oriente Médio.

Em cerca de três horas de conversas, Lula e Trump acertaram procedimentos para futuras parcerias, principalmente nas áreas de segurança e em pautas econômicas, com destaque para a possível flexibilização do tarifaço, a instalação de data centers no Brasil e investimentos na exploração de minerais críticos.

Do ponto de vista político, a reunião será usada como trunfo de Lula para rebater críticas da oposição sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos. Na entrevista coletiva que deu depois do encontro na Casa Branca, o petista disse que espera que os Estados Unidos não interfiram nas eleições de outubro. A família Bolsonaro alimenta a expectativa de que poderia haver ingerência dos EUA na sucessão de Lula, mas o clima amigável da conversa entre os dois presidentes torna essa possibilidade pouco provável.

Câmara aprova PL das terras raras
Na quarta-feira, 6, a Câmara aprovou em votação simbólica, o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto seguiu para o Senado, onde pode ser modificado.

No encontro com Trump, Lula usou a aprovação da proposta na Câmara para indicar que o Brasil tem interesse em estabelecer parcerias internacionais na exploração desse setor. Pelo modelo previsto no projeto, o país espera atrair investimentos estrangeiros, não só dos EUA, para o desenvolvimento de atividades econômicas relacionadas às terras raras.

O texto em tramitação no Congresso cria incentivos governamentais e prioridade de licenciamento para projetos nessa área. Esses minerais são considerados cruciais na produção de tecnologias como smartphones, baterias para carros elétricos e equipamentos militares.