A notícia sobre a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi comemorada no Congresso pela oposição e levantou especulações sobre sua permanência na liderança do governo no Senado. Parlamentares oposicionistas apostam na escalada do escândalo para tentar desestabilizar o governo. Aliados do senador petista adotam um tom de cautela, indicando que aguardam explicações.

Uma sessão do Congresso estava convocada para as 10h desta quinta, no entanto, o presidente casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu cancelá-la para tentar um acordo de lideranças em torno dos vetos a serem apreciados. Em entrevista, ele buscou baixar a temperatura do caso. “Eu não comemoro nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado de um processo neste país”, disse Alcolumbre.

“Todos podem ser investigados, todos podem ter por parte do Judiciário algum questionamento, e isso é normal no estado democrático de direito. Mas todos têm que ter a presunção da inocência. Seja ele um senador ou um deputado federal do PT, ou seja ele um senador ou um deputado federal do PL”, acrescentou o presidente do Congresso.

Sóstenes: oportunidade
Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não comentou o assunto. Para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), a operação conta Wagner é uma oportunidade de devolver ao PT a provocação que vinha sendo feita após a divulgação dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República.

“PTMaster”, postou Sóstenes em suas redes sociais, em contraposição ao apelido “BolsoMaster” divulgado pelos governistas. “A casa caiu no quintal do PT”, disse o deputado. “Vorcaro começou tudo com o PT da Bahia, e todo mundo sabe disso. Mas a tática deles é sempre a mesma: tentar enlamear os outros com a própria lama. Onde tem PT, tem corrupção com dinheiro público. Vamos aguardar a sequência das investigações”, postou o líder. 

O deputado Zucco (PL-RS) defendeu “apuração ampla, séria e sem distinções”. “O Brasil precisa da verdade. E a verdade só aparece quando todos os fatos são devidamente esclarecidos”, postou.

Entre os petistas, o ambiente é de cautela. Wagner já vinha sendo criticado na articulação do governo no Senado e enfrentava rumores de substituição. Agora, deputados e senadores da base do Planalto avaliam que o governo precisa ponderar uma possível repercussão negativa sobre seu destino para evitar que sua saída possa significar uma “confissão”. Ao mesmo tempo, sob reserva, avaliam que a permanência na liderança pode representar desgaste para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua campanha para a reeleição.

Dinheiro apreendido
Nas buscas realizadas nesta quinta-feira, 18, a PF encontrou 55 mil dólares e 33 mil euros (cerca de R$ 441 mil, em valores atuais) nos endereços ligados a Wagner. No quarto de hotel em que Wagner mora, foram encontrados 49 mil dólares em dinheiro vivo, além de 33 mil euros e 6.175 dólares em endereços ligados ao parlamentar na Bahia.

A PF investiga a suspeita de que Wagner recebeu vantagens indevidas de Daniel Vorcaro, por meio da empresa da esposa do enteado. Entre essas vantagens estaria um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. Além disso, Wagner também teria recebido ingressos no valor de R$ 63 mil para acesso a uma camarote de um show em Los Angeles, nos Estados Unidos. As provas foram analisadas a partir do celular de Augusto de Lima, ex-sócio de Vorcaro, e operador do banco na Bahia.

A PF ainda aponta que Wagner atuava em favor do Master, no Senado e junto ao governo e indica temas de interesse da instituição financeira intermediados por Wagner em interlocução direta com Augusto Lima. Entre os temas citados estão a elevação da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores e aposentados, a tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), conhecida como “emenda Master”, com repercussões sobre o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), além da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).