Durante audiência no USTR (sigla em inglês para Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), em Washington, nesta terça-feira, 7, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um rápido discurso para defender o cancelamento das sobretaxas aos produtos brasileiros. O parlamentar apelou ao alinhamento político com o presidente Donald Trump para afirmar que o cenário político pode mudar no Brasil, caso ele seja eleito presidente da República, como argumento para adiar a aplicação do tarifaço por mais 90 dias.
Flávio pediu que os membros do USTR “não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do PIX e cancelem esta medida para que possamos negociar”. Ele ainda afirmou que as tarifas impostas em 2025 não produziram os resultados pretendidos pelos Estados Unidos. “Em vez disso, elas foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro. Uma tarifa de 25% penaliza todo o povo brasileiro — exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões”, disse.
Ele ainda ponderou que o cenário político do país poderá ser completamente diferente. “Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter — premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências — seria o pior momento possível para agir”, disse.
Inclusão financeira
O senador também fez uma defesa do Pix, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiros. Segundo ele, o meio de pagamento não é um problema e sim uma solução.
“O Pix ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — para a economia formal”, disse Flávio. “Esse avanço também beneficiou diretamente empresas americanas, já que o volume de transações processadas por cartões de pagamento emitidos por bandeiras dos Estados Unidos continuou crescendo paralelamente à ampla adoção do PIX, uma vez que essas empresas prestam serviços que se complementam, e não competem com o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos”, acrescentou.