Uma das marcas da gestão Jair Bolsonaro, a presença de militares na campanha e na estrutura de um possível governo de Flávio Bolsonaro (PL) tem sido desaconselhada por aliados mais próximos. À experiência anterior, especialmente com a escolha do general Braga Neto como vice na chapa bolsonarista, é atribuída parte da responsabilidade pela derrota da direita nas eleições presidenciais de 2022. O próprio ex-presidente fez essa avaliação a aliados.

Por ser civil, argumentam os correligionários, Flávio não tem a necessidade de repetir “o erro” do pai. Mesmo porque, lembram, muitos dos figurões das Forças Armadas que integraram a cúpula do Planalto estão presos por participação na trama golpista condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Além de Braga Neto e do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), cumprem pena o general Paulo Sérgio Nogueira, que comandou o Exército, o almirante Almir Garnier, que chefiou a Marinha, e outros militares de patentes inferiores.

Na cartilha defendida internamente, o distanciamento da pauta militar integra o combo conduzido por Flávio para tentar se mostrar uma versão do pai menos radical. Isso também o livra, segundo acreditam aliados, de ser associado às imagens de acampamentos que pediam a intervenção militar no Brasil. O que parecia inofensivo, no início, escalou a ponto de resultar na condenação de mais de mil radicais da direita, incluindo o próprio Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 2 meses de prisão na Papudinha, em Brasília.