Pré-candidatos à Presidência da República, os governadores de Minas, Goiás e Paraná enfrentam dois desafios cruciais para viabilizar suas candidaturas. O primeiro é o próprio bolsonarismo, que vai tentar limpar a área para pavimentar o caminho de Flávio Bolsonaro. O segundo é a dificuldade de se tornarem figuras nacionais e de quebrar, sobretudo, a barreira do Nordeste.

O presidente Lula tem escolhido Romeu Zema como seu adversário entre os três governadores. Mas isso ocorre muito mais pelo xadrez mineiro do que pelo desempenho do governador. O Novo contratou marqueteiro, Renato Pereira, por quase R$ 6 milhões e gastou o mesmo valor em propaganda em 2025.

Mas é difícil defender algumas ações de marketing pessoal de Zema, uma delas, a de comer uma banana com casca em um vídeo na internet para criticar a alta no preço dos alimentos. Lula sistematicamente retorna à cena. Em dezembro disse que até macaco sabe descascar banana e que isso é uma “coisa civilizatória”.

Bravatas à parte, Lula esteve oito vezes em Minas em 2025. Mas não está conseguindo montar no estado um tabuleiro que lhe dê vantagem na eleição. Sua aposta era um palanque comandado por Rodrigo Pacheco, do PSD, atraindo o partido de Kassab.

O resultado é que Pacheco não quer ser candidato e deve até deixar o PSD. O partido abraçou a candidatura do vice de Zema, Mateus Simões, que numa jogada combinada deixou o Novo e se enfileirou no grupo de Kassab.

No entanto, ainda que tenha vantagem em Minas, Zema está longe de ser um nome de consenso entre os líderes e partidos de direita e centro direita. Seus aliados dizem que ele dificilmente desistiria da candidatura para concorrer ao Senado, que poderia lhe dar uma vitória. O que dizem é que ele deixaria de concorrer se pudesse entrar na vaga de vice de uma campanha mais encorpada — a de Flávio ou Tarcísio de Freitas.

Mas teria que entrar na fila. O próprio Kassab tem um governador com forte capital político, Ratinho Jr., no Paraná. Entre os três governadores, Ratinho é o que mais facilmente abriria mão de uma candidatura à Presidência. As pesquisas de opinião o colocam bem posicionado para o Senado, mas a disputa também seria dura.

No Paraná, Ratinho se vê às voltas com seus próprios problemas. Três candidatos reivindicam seu apoio, o secretário das Cidades, Guto Silva, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca. Mas todo esse xadrez só poderá ser montado quando for definido se Sergio Moro disputará o governo. A candidatura do ex-juiz foi rejeitada pelo PP, de Ciro Nogueira, e embarreirou o desejo do União Brasil, partido de Moro, que faz federação com o PP.

Ratinho como candidato a vice poderia ajudar a encorpar a campanha de Flávio, por exemplo, mas o problema de distanciamento com o Nordeste permaneceria. Na Bahia, o senador de seu partido, Otto Alencar, já declarou apoio irrestrito a Lula.

Já em Goiás, Ronaldo Caiado festeja uma aprovação de 80%, mas tem o mesmo problema de se tornar um nome nacional. Tem também as questões de seu próprio partido, o União Brasil. A legenda desembarcou do governo Lula, expulsou o então ministro do Turismo, Celso Sabino. Mas, naquelas piruetas que só existem no Brasil, no final de dezembro indicou o nome do novo ministro, Gustavo Feliciano, contentando parte da legenda.

O governador de Goiás tem a seu favor a alta aprovação e a imagem que passa de rigoroso combate à criminalidade. O tema da segurança pública será central no debate das eleições.

Para se manter na corrida, a tese de Caiado é que múltiplas candidaturas fortalecem a direita na disputa e tiram a chance de uma vitória de Lula no primeiro turno. Mas, nas pesquisas, esse cenário de vitória no primeiro turno não se confirmou.