O presidente Lula procura o tom mais adequado para responder aos questionamentos sobre a revelação de que seu principal adversário na eleição para o Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pediu dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
A intenção do petista é, primeiro, manter por um tempo a onda de desgaste do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo, o petista não quer inflamar os ânimos de eleitores de direita ou de centro-direita, decepcionados com o bolsonarismo, a ponto de provocar crescimento de sua própria rejeição. Em vez disso, Lula vai apostar no discurso do funcionamento das instituições.
Nesta quinta-feira, ao participar de um evento em uma fábrica de fertilizantes na Bahia, sem tocar no nome do senador, Lula agitou a plateia ao ser estimulado a falar no assunto. “Tem algum delegado aqui? Não tem”, disse o petista, em tom parecido ao de um animador de auditório. “Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral”, afirmou.
Essa reação está também relacionada ao fato de Lula ter sido preso em decorrência da operação Lava Jato. Ele não quer encarnar o papel de “acusador” para não passar a imagem de que age como os responsáveis pela força-tarefa, classificada por ele como injusta.
Mas ministros e candidatos apoiados pelo Planalto estão liberados para investir contra Flávio. Logo depois da divulgação dos áudios, saíram a campo, por exemplo, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e os ex-ministros Fernando Haddad (Fazenda), candidato ao governo de São Paulo, e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que vai concorrer ao Senado pelo Paraná. Eles partiram para a briga nas redes, da mesma forma que os líderes governistas no Congresso, que entraram com notícia-crime pedindo investigações e até a prisão preventiva do senador.