Ainda patinando nas pesquisas de intenção de voto em um cenário bastante indefinido da corrida eleitoral em Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) tem mantido suspense sobre a possibilidade de ser o candidato do presidente Lula ao governo do estado. Para o entorno de Pacheco, o petista não tem tido empenho suficiente para emprestar à candidatura seu prestígio. O estímulo desejado, de acordo com pessoas próximas ao senador, passa pela realização de agendas comuns no estado e, principalmente, por um realinhamento da base aliada para não passar a ideia aos eleitores de total “fragmentação”, situação predominante hoje.
Após a derrota imposta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a Lula no Senado, rejeitando a indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para o STF (Supremo Tribunal Federal), esse cenário ficou ainda mais confuso. O senador chegou a relatar a interlocutores um desânimo em relação à campanha. Pacheco é aliado de Alcolumbre e hoje tem dúvidas se Lula conseguirá se reconciliar com o Centrão e organizar as alianças eleitorais nos estados. “Aconteceram alguns ruídos na votação do Messias e Lula precisa fazer essa recomposição da base”, disse um aliado de primeira hora do senador.
Para essa recomposição, no entanto, um gesto é esperado de Lula entre os mais próximos de Pacheco. É preciso que o presidente diga à base aliada que a rejeição do ministro “são águas passadas”. “É preciso zerar o jogo”, disse um interlocutor.
Para crescer em Minas, Pacheco precisa reunir o centro político e buscar, principalmente, os eleitores que gostariam que o novo governador do estado fosse “independente” dos dois polos da disputa nacional, ou seja, Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que lançou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho, ao Palácio do Planalto.
Em Minas, as pesquisas indicam Pacheco em terceiro lugar, atrás do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que está em meio de mandato e ainda não anunciou se será candidato, e do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).
Lula pode mudar seu palanque em Minas e optar por Kalil, caso Pacheco desista da candidatura. No entanto, os movimentos do PT mineiro ainda apontam para o senador do PSB. Em mensagem divulgada em vídeo no fim de semana, a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), fez um apelo para que Pacheco lance seu nome dentro de uma aliança de centro-esquerda, alegando que o estado precisa de uma “reconstrução” e que ele teria toda capacidade de articulação para isso. “Pacheco precisa vir como pré-candidato ao governo de Minas Gerais”, disse a ex-prefeita.