O Banco Central inicia nesta terça-feira, 16, a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) com a inflação corrente em alta, com expectativas desancoradas até 2028 e com riscos climáticos adicionais que podem encarecer alimentos, além de produtos e serviços. Na prática, os indicadores pressionam o colegiado a encerrar o ciclo de corte de juros, atualmente em 14,5% ao ano. 

O economista-chefe da XP, Caio Megale, afirmou que o fluxo de dados e notícias econômicas desde a última reunião do Copom indica deterioração adicional no cenário de inflação. Segundo ele, choques globais de oferta persistem mesmo com a queda recente nos preços do petróleo e após o acordo preliminar entre Irã e Estados Unidos, a atividade doméstica reacelerou em meio a medidas de estímulo, e o real parou de se valorizar em relação ao dólar. 

Para Megale, as projeções de inflação do Copom devem se distanciar ainda mais da meta diante do contexto conturbado na economia e passar de 3,5% para 3,6%.

“Nosso cenário contempla duas reduções adicionais de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,00%. Contudo, considerando os desafios à frente, o Copom pode optar por interromper o ciclo após a redução desta semana. Projetamos que o Copom retomará os cortes de juros no próximo ano, condicionado ao avanço de reformas que coloquem as contas fiscais em uma trajetória mais sustentável”, afirmou.