A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, vai correr entre todos os governadores, incluindo os de oposição, para pedir que se engajem em uma campanha de combate ao feminicídio. Políticos de diversas legendas e estados têm feito vídeos para tratar do tema, que foi encampado por Lula, no final deste ano, quando o presidente falou sobre a violência contra a mulher na maioria de seus discursos. O governo planeja também ampliar o atendimento às vítimas.
“Nós não podemos ficar repetindo que é um problema estrutural e não enfrentar isso. Quanto mais a gente abrir o jogo, quanto mais a gente falar deste processo, melhores os resultados, eu não tenho dúvida”, disse a ministra em entrevista à coluna.
Em 2024, foram 1,5 mil feminicídios. No primeiro semestre de 2025, foram mais de 700. Nos últimos meses do ano, os casos aumentaram, com histórias de extrema violência e crueldade. Lula contou, em um discurso, que a primeira-dama, Janja, se emocionou com um dos casos e pediu seu engajamento. Ele passou a falar que os homens tinham de se juntar à campanha de combate.
“Quem agride as mulheres são os homens; e é com eles que o presidente decidiu falar diretamente”, afirmou Márcia Lopes.
Segundo a ministra, Lula vai acelerar a construção de Casas da Mulher Brasileira este ano, com a previsão de 29 novas unidades em todo o país. A casa, que reúne serviços que vão da polícia ao atendimento psicológico, foi criada na gestão de Dilma Rousseff. Hoje, são 11 em funcionamento.
De acordo com Márcia Lopes, o governo atual aumentou os recursos em 500% em relação à gestão anterior. O governo Bolsonaro executou apenas 12% das verbas previstas para o projeto, segundo dados do Siga Brasil.
As casas custam entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões, considerando tamanho e serviços oferecidos. As verbas saem do Ministério da Justiça. Para o orçamento do Ministério das Mulheres, a previsão é que sejam destinados R$ 380 milhões em 2026.
Márcia Lopes também está negociando com o ministro Jader Barbalho Filho, das Cidades, para que os novos projetos do Minha Casa Minha Vida destinem uma das moradias para atendimento a mulheres vítimas de violência. O número 180 chegou a 16 milhões de atendimentos em seus 20 anos, comemorados em 2025.
Pessoas que queiram denunciar violência de gênero ou que estejam em risco podem ligar gratuitamente para o número 180.
“Outro dia eu cheguei no 180, elas estavam atendendo uma mulher indígena lá no Amazonas e essa mulher estava com problema porque a delegacia não queria fazer o registro da denúncia dela. E, aí, o próprio 180 ligou para a autoridade, cobrou. O 180 não recebe só a denúncia, ele orienta, encaminha”, contou Márcia Lopes.
Outro ponto que é defendido pelo Ministério é a paridade salarial. A autonomia financeira é considerada decisiva para que a mulher saia de uma situação de violência em casa. “As mulheres ainda ganham 20% menos do que os homens desenvolvendo a mesma função. Isso é injusto e não leva à autonomia das mulheres”, disse a ministra.
