O anúncio de que o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificará o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, a partir de 5 de junho, traz significativos riscos econômicos para o Brasil, afirmaram ao PlatôBR técnicos do Ministério da Fazenda e da Casa Civil.
Segundos os auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo americano passa a ter autoridade para punir qualquer instituição financeira, empresa ou investidor que realize transações, financie ou mantenha negócios com membros ou laranjas das facções. Bancos brasileiros que operam internacionalmente correm o risco de serem cortados do sistema financeiro dos Estados Unidos se não adotarem medidas extremas para verificação das operações.
“Não resta dúvida de que mais essa lambança dos irmãos Bolsonaro poderá prejudicar a economia do país e isto trará consequências políticas e para o mercado, inclusive para agro que pode ser atingido com novas tarifas”, afirmou um integrante da equipe de Lula.
Há ainda risco de fuga de capital do país, pois fundos de investimento e fundos de pensão estrangeiros não podem fazer aplicações em países associados ao terrorismo. Há também possíveis embaraços para empresas que contratam, sem saber, faccionados. Motoristas e entregadores de aplicativos que tenham envolvimento com as organizações podem implicar as empresas na crise. Na prática, os pagamentos desses trabalhadores podem ser bloqueados.
Há ainda riscos para as empresas exportadoras, com o maior rigor alfandegário nos Estados Unidos e na Europa, o que gera inspeções mais lentas e onerosas para mercadorias de exportação brasileiras. Por fim, a classificação terrorista traz consequências na esfera legal e migratória, ao permitir o bloqueio de ativos em solo americano, a extradição facilitada de líderes e a imposição de restrições de visto para pessoas que moram de áreas ou cidades dominadas por essas facções no Brasil.