Com saída anunciada do PSD e cotado para ser o candidato apoiado por Lula para o governo de Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco enxergou na troca de partido do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), um sinal de que há espaço para que ele migre para o União Brasil e controle a legenda no estado.

Pacheco tem cobiçado esse controle, hoje nas mãos do deputado Marcelo Freitas, com o objetivo de estruturar sua candidatura. Para ele, a saída de Caiado explicita a estratégia do União Brasil de não ter candidato à Presidência e de deixar as decisões de alianças estaduais obedecendo os arranjos locais. Com isso, o senador vê chance de levar a legenda para o palanque de Lula na disputa pela reeleição.

Resolver a questão da filiação é fundamental para que, em seguida, Pacheco tenha uma conversa decisiva com o presidente da República. Federado com o PP, o União Brasil resiste a esse arranjo. O senador, no entanto, espera contar com a articulação de um grande aliado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para avalizar a reestruturação do partido em Minas Gerais.

Aliados de Pacheco esperam que essa definição ocorra nas próximas semanas. Na semana passada, interlocutores de Lula o sondaram para uma conversa em Brasília. O encontro ainda não foi possível por causa da viagem do presidente para o Panamá. Pacheco está em Brasília e espera ser chamado nos próximos dias.

A situação do senador mineiro se complicou quando o presidente do PSD, Gilberto Kassab, se antecipou à aliança que estava sendo costurada com Lula, foi a Minas Gerais e convidou o vice-governador, Mateus Simões, para se filiar à legenda para ser o candidato ao governo. O nome de Simões já havia sido lançado pelo governador Romeu Zema (Novo) para o governo do estado.

Resolver o palanque em Minas é um problema urgente para Lula. O estado é conhecido por representar uma síntese do Brasil e, normalmente, a vitória nas urnas mineiras ajuda a definir a corrida presidencial. Nesta semana, a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) reafirmou que Lula insiste no nome de Pacheco como cabeça de chapa e que o partido está conversando com o PDT e com o MDB no estado. “O presidente tem falado que vai insistir com o Rodrigo Pacheco. (…) O presidente ainda não desistiu [de Pacheco], ele tem um poder de convencimento muito grande”, disse.