A deflagração de três grandes operações policiais contra a facção PCC (Primeiro Comando da Capital) na quinta-feira, 28, descortinou uma extensa rede montada pelo crime organizado para lavar dinheiro no sistema financeiro do país. As atividades ilegais movimentaram R$ 140 bilhões entre 2019 e 2024 no setor de combustíveis e em fintechs e fundos de investimento.

Em oito estados, mais de 1.400 agentes cumpriram 400 mandados judiciais, seis mandados de prisão e centenas de buscas e apreensões. Foi a maior operação já realizada contra o crime organizado no Brasil, segundo as autoridades responsáveis pelo caso.

A investida contra a sofisticada teia de atividades ilícitas teve a participação integrada de órgãos como a Polícia Federal, a Receita Federal e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) da Procuradoria Geral de Justiça no estado de São Paulo. O trabalho conjunto permitiu a troca de informações e a montagem das operações que atingiram os grupos criminosos.

O governo federal tratou o caso como uma oportunidade de mostrar resultados no combate à criminalidade, uma das áreas que mais recebe críticas dos adversários. A realização de uma entrevista dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Ricardo Lewandowski (Justiça), com a participação direta de Sidônio Palmeira (Secom) foi uma demonstração da importância dada ao assunto pelo Planalto.

A megaoperação policial também está sendo usada pelo governo para tomar medidas que coíbam a atuação das organizações criminosas. A Receita Federal baixou nesta sexta-feira, 29, uma instrução normativa que obriga as fintechs a se submeterem às mesmas obrigações e regras de transparência que as demais instituições financeiras. Haddad tentou fazer essa mudança no início do ano, mas recuou depois que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) viralizou um vídeo que distorcia informações sobre os efeitos dessa iniciativa sobre o Pix.

A expectativa agora é que as investigações aprofundem as descobertas para identificar com precisão o que são as atividades criminosas dentro do sistema financeiro e, assim, permitir a responsabilização dos culpados e a adoção de práticas mais saudáveis nesse setor.

Polícia na porta da casa de Bolsonaro
Por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes, a Polícia Federal passou a vigiar a residência onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. A medida foi tomada como precaução contra possível risco de fuga do ex-presidente, que será julgado a partir da próxima terça-feira, 2, por tentativa de golpe de Estado.

Moraes atendeu à recomendação da Procuradoria-Geral da República de reforçar a vigilância policial depois que o líder do PT na Câmara alertou que em dez minutos seria possível Bolsonaro se deslocar de sua residência para a Embaixada dos Estados Unidos.

“PEC da blindagem” patina na Câmara
Sem acordo sobre o texto final, os líderes dos partidos na Câmara não conseguiram levar a “PEC da blindagem” a votação no plenário. A proposta cria mecanismos que dificultam punições contra parlamentares, como a exigência de que o STF tenha de pedir autorização para realizar investigações dessas autoridades.

A votação da PEC havia sido acordada pela cúpula da Câmara nas negociações com a oposição para a desocupação da mesa diretora nos primeiros dias do semestre. O recuo aconteceu depois da ampla repercussão negativa que o caso teve ao longo da semana. Até o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), deputado que mais defendia a proposta, anunciou na quinta-feira, 28, que o assunto deixava de ser prioridade do partido.

Lula autoriza uso da lei da reciprocidade contra os Estados Unidos
Na noite da quinta-feira, 28, o presidente Lula autorizou o início dos procedimentos para a aplicação a lei da reciprocidade, aprovada em abril pelo Congresso, contra os Estados Unidos. Esse é um processo demorado, que deve levar meses para ser implementado, mas a medida tomada por Lula marca o início de uma nova etapa nas relações entre o Brasil e o país de Donald Trump, afetadas desde a imposição do tarifaço de 50% pela Casa Branca.

O uso da lei da reciprocidade é controverso. Principalmente no setor privado, existe uma preocupação sobre as consequências da escalada de tensão entre os dois países. O encaminhamento dessa questão será decisivo para o comércio bilateral nos próximos anos.