A Petrobras criou um ruído no mercado e em Brasília ao anunciar um reajuste de R$ 0,44 no preço da gasolina e horas depois, na madrugada de quinta-feira, 10, soltar uma nota para afirmar que o valor do combustível ficará R$ 0,19 mais barato para as distribuidoras com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reduzir os impostos que incidem sobre os derivados do petróleo e o etanol.

No governo, a avaliação foi de que o anúncio foi mal explicado ao informar exclusivamente um reajuste de preços, sem contemplar o efeito líquido sobre o valor da gasolina com a redução de impostos — na prática, uma medida com potencial de favorecer Lula, em pleno esforço para melhorar sua popularidade a menos de um mês das eleições. No mercado, os investidores ficaram sem entender, inicialmente, o que de fato ocorreria com o preço do combustível.

O comunicado inicial ao mercado da Petrobras foi necessário diante do encerramento da subvenção econômica de R$ 0,44, já que a medida provisória 1.358 de 2026, que estabeleceu o benefício, perderia a validade nesta terça. Entretanto, o governo havia anunciado horas antes uma redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins, o que só viria a ser formalizado no Diário Oficial da União desta quinta.

Na prática, mesmo com o fim da subvenção, o valor do combustível ficará R$ 0,19 mais barato com a diminuição do tributo. Diante do imbróglio, a estatal precisou divulgar uma nota para corrigir as informações prestadas e mostrar, enfim, que no fim das contas o preço da gasolina não subiria.