O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga na próxima quinta-feira, 4, o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre de 2025. No mercado, as apostas são de um crescimento de 0,3%, o que pode sinalizar uma desaceleração econômica.
Apesar da redução do nível de atividade, as medidas aprovadas pelo governo ao longo do ano que podem colocar mais dinheiro em circulação nos próximos meses levaram os economistas a revisar as estimativas para a geração de riquezas no país em 2026.
O economista-chefe do banco Pine, Cristiano Oliveira, afirmou em relatório divulgado aos clientes e ao mercado que o PIB entre julho e setembro cresceu 0,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Para além do resultado do período, Oliveira apontou que os indicadores monitorados pela instituição financeira que sinalizam o nível de atividade econômica no último trimestre apontam para um crescimento de 0,4% entre outubro e dezembro.
“Embora mantenhamos a avaliação de que a atividade perdeu dinamismo ao longo da segunda metade do ano — refletindo o aperto das condições financeiras e a desaceleração gradual do mercado de trabalho —, os sinais mais recentes sugerem um ritmo de expansão superior ao inicialmente projetado, introduzindo viés de alta para a estimativa anual”, disse.
Nas contas de Olivera, o PIB registrará um crescimento de 2,2% em 2025. Para o próximo ano, a previsão é de um aumento de 1,8%, com um viés de alta. Essa possiblidade de elevação da projeção está ancorada, disse o economista, no consumo das famílias, um reflexo da combinação de desemprego baixo, ganhos reais de salários — incluindo o reajuste do salário-mínimo — e medidas fiscais que ampliam a renda disponível, como a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil.
Nas contas do economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, o PIB registrou uma alta de 0,3% no terceiro trimestre. Para 2025, ele manteve a projeção de crescimento de 2,2%. Entretanto, para o próximo ano, ele revisou a estimativa de 1,5% para 1,7%.
Segundo ele, a revisão decorre da ampliação de gastos do governo e do consumo que deve injetar quase R$ 200 bilhões na economia. Nessa conta ele considerou a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida, os desembolsos do governo com o programa Luz para Todos, que amplia gastos públicos para bancar a luz dos mais pobres, além do programa Gás do Povo, que bancará botijões de gás para famílias de baixa renda.
Mesquita também considerou nessa conta a liberação do compulsório de poupança para empréstimos imobiliários, a criação de uma linha de crédito para reformas, a isenção de Imposto de Renda e o crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
