Neste dia seguinte ao resultado das eleições de 2026, são muitas as análises e opiniões sobre o que pode ajudar a explicar uma virada inédita entre o primeiro e o segundo turnos numa corrida presidencial no Brasil.
O PlatôBR elenca 13 pontos que, desde ontem à noite, estão sendo aventados e discutidos nas duas campanhas, a vitoriosa de Lula e a derrotada de Flávio Bolsonaro.
‘Já ganhou’ e ‘salto alto’
A euforia que tomou conta de Flávio e de seus aliados após o primeiro turno foi difícil de reverter. Muitos se apressaram em montar o governo, pensar em nomes para o STF e planejar a relação com o Congresso. Era cedo demais.
‘Menos Janja, mais Alckmin’
Para o segundo turno, Lula mexeu na campanha depois do baque. Trouxe “sangue novo”, com governadores e ex-governadores do Nordeste. Aceitou o efeito Janones fora da campanha oficial. E ajustou narrativas, sobretudo no tema da segurança pública. Foi menos identitário e mais pragmático. Pode ter, assim, conseguido reduzir resistências.
O ‘exército’ de Janones
Sim, o canal de WhatsApp de André Janones foi um fato novo e surpreendente, que trouxe a esquerda para o jogo das redes sociais, onde a direita sempre havia dominado. Fez a diferença.
‘Tapete vermelho’ antes nas ruas
Depois do baque do primeiro turno, a esquerda não demorou a ir para as ruas. Enquanto Nikolas Ferreira fazia a programação do “Bloquinho do 22”, estudantes e famílias eleitoras de Lula já ocupavam espaços nas cidades. Não era um movimento organizado pela CUT ou pelo MST, mas algo que parecia espontâneo. Teve peso.
A busca por eleitores
A ofensiva para diminuir a abstenção foi puxada pela campanha do PT. Flávio não teve o mesmo êxito. Lula conseguiu tirar de casa muita gente que não votou no primeiro turno e que queria evitar a volta do bolsonarismo. Teve efeito.
Cadê os aliados?
Enquanto isso, muitos — muitos mesmo — aliados de Flávio que venceram a eleição no primeiro turno foram descansar e celebrar, acreditando que o candidato do PL seria eleito.
E os outros candidatos?
Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury declararam apoio a Flávio no segundo turno, mas, para não dizer que sumiram, não participaram da campanha como Flávio esperava. Criou-se um vácuo na transferência de votos.
E os eleitores dos outros candidatos?
Além disso, a militância bolsonarista não “acolheu” os eleitores de Caiado, Zema, Cury e Renan Santos. Pelo contrário. Nas redes sociais, os votos desse grupo foram subestimados, e os embates eram constantes.
A ‘Marçalização’ de Flávio
Trazer Pablo Marçal para perto no segundo turno foi, sem dúvida, um dos grandes erros da campanha do PL. O deboche, o sarcasmo e a ironia não funcionaram. A zombaria de jovens eleitos de direita, com dancinhas e chacotas com os derrotados da esquerda, pode ter passado uma impressão ruim para o eleitorado de centro e independente.
Debates da Band e da Globo
A postura de Flávio incomodou parte do eleitorado, sobretudo os mais velhos. Os embates televisivos viraram um duelo de imagens: a de um “jovem arrogante” contra a de um “velhinho”, chamado de “nove dedos” pelo candidato do PL, em um erro que pode ter sido fatal. O eleitorado brasileiro, em geral, ainda é muito sensível a esse tipo de situação.
Faria Lima
A relação de Flávio com o mercado ao longo de toda a campanha foi marcada por idas e vindas e pela desconfiança. A Faria Lima queria respostas concretas, que não chegaram. Faltou segurança.
Reação do Nordeste
Será que o vídeo de Nikolas Ferreira, com uma visão bastante estereotipada do Nordeste, provocou efeito contrário? É uma pergunta que o mundo político se faz. Se tem uma coisa de que o nordestino não gosta é de ser tachado de “pobre sofrido”.
E os evangélicos?
Flávio não conseguiu a adesão do mundo evangélico como o pai, Jair. Sobretudo para mulheres evangélicas, pode ter sido difícil engolir a imagem de um fiel acusado de participar de orgias com garotas de programa. Não é um apoio simples de conquistar nessas condições.

