Clubes de futebol se articulam nos bastidores para reagir em conjunto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes do primeiro turno das eleições caso o petista decida avançar com uma MP (Medida Provisória) para restringir a atividade de apostas esportivas no país — entre as possibilidades em discussão até um eventual banimento total das plataformas. Há um “barata-voa” em Brasília e entre os grandes clubes do eixo Rio-São Paulo em torno do assunto. A preocupação se dá, principalmente, pelo fato de as bets terem se transformado nas principais patrocinadoras do futebol brasileiro.
Representantes das principais agremiações vêm tentando saber do governo se a MP será de fato editada, mas as respostas são contraditórias. Enquanto ministros garantem que não existe essa possibilidade, interlocutores do Planalto confirmam que o presidente pretende assinar a medida nos próximos dias. Os clubes conversam, reservadamente, sobre a possibilidade de organizarem protestos contra o governo e contra o próprio presidente caso as restrições sejam confirmadas. Não está claro, ainda, de que forma essas manifestações seriam realizadas.
Nesta quarta-feira, 16, Lula disse que sua “disposição pessoal é acabar com as bets”, mas ressalvou que prefere “ouvir outras pessoas” antes de tomar uma decisão. “As bets, hoje, são uma desgraça nesse país para o povo pobre que trabalha e que perde seu dinheiro jogando”, disse o presidente a um podcast. Os clubes, sob reservam, dizem que a medida do presidente neste momento teria um caráter claramente eleitoreiro.
Estimativas de mercado apontam perdas da ordem de R$ 1 bilhão em patrocínios caso a proibição avance — cifra que vem sendo usada pelos clubes nas articulações em Brasília contra a proibição. Parlamentares governistas ouvidos pelo PlatôBR admitem que há um receio, por parte do Planalto, com o possível desgaste político, para o presidente, de um embate com o os principais players do futebol nacional. Nesse cenário, eles passaram a ventilar a possibilidade de o Planalto terceirizar a tarefa para o Congresso, ainda que deputados e senadores já tenham demonstrado resistência em assumir essa frente de batalha.

