Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, órgão climático do governo dos Estados Unidos, apontaram nesta segunda-feira, 13, que a probalidade de ocorrência de El Niño avançou para 61% (ante 45%) para o trimestre encerrado em julho. O levantamento ainda indicou 25% de chance de o evento atingir intensidade forte no fim do ano, o que seria considerado um “Super El Niño“.

Os dados são acompanhados com lupa pelos Ministérios da Fazenda e da Agricultura diante dos impactos na produção de alimentos, que podem ser uma pressão adicional sobre a inflação.

Caso isso ocorra, as lavouras brasileiras serão afetadas por uma seca extrema, sobretudo no Norte e no Nordeste, o que afetará a safra de grãos dos estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). No Sul, o risco é de chuvas intensas que podem atrapalhar a colheita do trigo.

Em relatório aos clientes, o Bradesco informou que, por se tratar de ocorrência atípica para o meio do ano, os impactos agrícolas não são totalmente previsíveis. No Brasil, a tendência é de elevação de temperaturas — com possíveis efeitos sobre a produtividade da cana — e de aumento das chuvas no Sul.

Na Índia e na Oceania, a expectativa é de redução das chuvas no período de monções, com impactos também sobre a cana.