A campanha de Flávio Bolsonaro passa por um momento delicado. O acúmulo de fatos negativos e as divisões na direita dificultam as alianças em torno da candidatura do senador do PL ao Planalto. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, trabalha para tentar impedir o afastamento de legendas do Centrão.

A duas semanas da convenção marcada para oficializar o nome de Flávio, nenhum acordo foi fechado com grandes partidos para a formação da chapa para presidente. Nem se sabe ainda quem ocupará a vaga de vice.

O próprio pré-candidato contribuiu para o aumento dos questionamentos sobre os rumos de sua campanha. A participação de Flávio na audiência do USTR (sigla em inglês para Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre o tarifaço repercutiu mal no setor produtivo e no mercado financeiro. Ele foi criticado por não ter defendido o fim das sobretaxas contra o Brasil; limitou-se a pedir um adiamento, sob o argumento de que as medidas aplicadas agora favorecem a reeleição de Lula.

O último fato negativo na campanha foi a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), pré-candidato ao Senado apoiado por Flávio, alvo de uma investigação sobre lavagem bilionária de dinheiro em uma rede de postos de combustíveis.

As turbulências são agravadas pelas brigas entre integrantes da família e antigos aliados. Muitos desses embates têm origem nos Estados Unidos, puxados por Eduardo Bolsonaro e pelo empresário Paulo Figueiredo. Apesar dos abalos, Flávio continua bem posicionado nas pesquisas, em segundo lugar, abaixo de Lula no limite da margem de erro.

Tendência de neutralidade
O Centrão caminha para repetir a estratégia de todas as eleições: manter um pé em cada canoa para participar do governo qualquer que seja o vencedor na disputa pelo Planalto. Nesse rumo, a tendência desses partidos é formalizar posições de neutralidade em relação aos candidatos a presidente e liberar os diretórios para acordos estaduais.

A falta de uma manifestação de apoio de Flávio a Canella deu motivo para o União Brasil a recuar nas negociações sobre coligação com o PL. O PP forma uma federação com o União Brasil e também reclama da falta de apoio público ao presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), que foi alvo recente de uma operação da Polícia Federal.

O Republicanos pode seguir o mesmo caminho. O presidente do partido, Marcos Pereira, ainda não se manifestou, mas a posição de neutralidade é defendida pelo ex-ministro Sílvio Costa Filho, apoiador de Lula, e facilita as alianças regionais.

Sem alianças com grandes partidos, Flávio terá menos tempo de televisão, fator relevante em todas as campanhas.

O documento do Itamaraty
O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) foi convocado na quarta-feira, 8, pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara para explicar o conteúdo de um documento do Itamaraty que menciona a “possibilidade de uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”.

O texto foi enviado à Câmara depois que os Estados Unidos classificaram as facções PCC e CV como terroristas. O autor do pedido de convocação foi o deputado Evair Melo (Republicanos-ES).

Subsídios mantidos
Nesta quinta-feira, 9, o ministro Dario Durigan (Fazenda) anunciou a continuação do subsídio à gasolina. A intenção do governo era suspender a medida nesta semana, mas o agravamento da guerra no Oriente Médio levou a equipe econômica a reavaliar essa decisão em função dos desdobramentos do conflito.