NOVA YORK – A parcela do PIB brasileiro reunida em Nova York para a Brazil Week, como ficou conhecida a semana de conferências organizada anualmente na cidade americana para debater as relações entre Brasil e Estados Unidos, se acomodou na noite desta segunda-feira, 11, em torno de trinta grandes mesas no Cipriani, um dos espaços de eventos mais luxuosos de Manhattan, para ouvir Donald Trump Jr, filho do presidente Donald Trump.

No jantar oferecido pela Esfera, do empresário João Camargo, a plateia seleta ouviu Don Jr, como é chamado o primogênito de Donald Trump, falar sobre os caminhos para aprofundar o comércio e as trocas estratégicas entre os dois países. O filho de Donald Trump criticou os negócios brasileiros com a China, se disse entusiasmado com a “oportunidade incrível” para avançar na relação com os Estados Unidos, com menção especial aos setores mineral e agrícola, e, por duas vezes, se referiu ao Brasil e à América Latina como “quintal”.

“Percebemos nos últimos anos, certamente durante os tempos de Covid, que a cadeia de suprimentos é realmente importante, e acho que ela foi capturada por pessoas que não necessariamente compartilham nossos valores e interesses. Alinhar nossos interesses com outros países de valores semelhantes, desvinculando-nos da dependência da China e de outros lugares ao redor do mundo, é muito importante. Creio que isso leva a uma oportunidade incrível para as relações entre Estados Unidos e Brasil. Vocês [brasileiros] possuem recursos minerais incríveis e um setor agrícola excepcional. Enfim, possuem excelência em todos os setores. Vocês também compartilham um sistema de crenças muito comum, que considero fundamental em tudo isso. Então, acho que a estratégia é manter essas relações, expandi-las, manter o hemisfério unido e proteger nosso próprio quintal”, afirmou Trump Jr, que ocupa o posto de vice-presidente executivo da Trump Organization, o conglomerado empresarial da família.

Em um painel do qual participaram também outros empresários, como Wesley Batista, sócio da gigante JBS, e André Esteves, chairman do BTG Pactual, Trump Jr aconselhou o Brasil a se afastar da influência chinesa. “Desvincular-se da China será algo importante, e eu entendo que o investimento da China no Brasil tem sido grande. Isso, em geral, não funcionou para muitos países ao redor do mundo, onde eles [esses outros países] acabaram comprando gato por lebre, e o que foi prometido [pelos chineses] não foi necessariamente entregue. Estamos entusiasmados com essa oportunidade [na relação dos Estados Unidos com o Brasil]. Acho que é algo ótimo para o mundo e para os nossos países”, prosseguiu.

Ao falar da influência americana na Venezuela após a operação militar que derrubou e prendeu Nicolas Maduro, Trump Jr defendeu que a cooperação entre Washington e o governo de Delcy Rodríguez, a vice que assumiu o lugar do ditador deposto, levará prosperidade para o país. Nesse momento, ele voltou a exaltar a estratégia dos Estados Unidos de dedicar mais atenção ao continente americano – e voltou a mencionar a palavra “quintal” ao se referir à região.

“Era uma das nações mais ricas antes de seguir o caminho experimental do comunismo, que não funcionou bem para ninguém. Acho que a oportunidade agora é profunda. Parece que a nova administração está trabalhando muito bem com os Estados Unidos para maximizar seus recursos. Com tecnologia americana, ajuda de aliados e um regime democrático fazendo o melhor pelo povo, acho que o potencial é incrível. Protegendo nosso hemisfério, nosso quintal, em vez de focar apenas em lugares a milhares de quilômetros de distância. Existe uma relação simbiótica de valores – família, pátria – que cria uma oportunidade incrível para todas as Américas”, afirmou.

Do jantar, participaram dezenas de CEOs e sócios de algumas das mais importantes empresas brasileiras, de diferentes setores. A Brazil Week se realiza em torno da entrega do prêmio Person of the Year, promovido pela Brazilian-American Chamber of Commerce, que todos os anos homenageia empresários de destaque na relação comercial entre os dois países. Os premiados deste ano são José Auriemo Neto, chairman da JHSF, e Cristiano Amon, CEO da Qualcomm.