Num estado dominado pelo PT — o partido tem o governo, 40% da Assembleia Legislativa e 50 das 224 prefeituras — petistas do Piauí reagiram com repúdio a uma reaproximação de Ciro Nogueira com Lula, conforme revelaram os repórteres Catia Seabra, Caio Spechoto e Augusto Tenório. “Ciro teve muitas chances e, em todas, nos traiu”, escreveu o presidente estadual do partido, Fábio Novo, nas redes sociais.

Na corrida ao Senado no estado, que terá Nogueira entre os candidatos, o PT apoia dois nomes de outros partidos: o aliado histórico Marcelo Castro, do MDB, que concorre à reeleição; e o deputado Julio Cesar, do PSD.

Na chapa ao governo, os petistas vão tentar a reeleição do governador Rafael Fonteles, em uma coligação deve incluir PSD, MDB, Republicanos, PSB e PDT, segundo dirigente petista ouvido pela coluna.

Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, ainda não decidiu quem pelo PP concorrerá contra o governador. São ventilados os nomes da ex-vice-governadora Margarete Coelho e de Joel Rodrigues, ex-prefeito de Floriano, a 240 quilômetros de Teresina.

Dois pontos, no entanto, podem envergar esse repúdio inicial dos petistas. Um pedido de Lula, que já tem mudado candidaturas nos estados, e o histórico de Ciro com o partido, de idas e vindas. Desde 2010, o senador caminhou ao lado do PT formal ou veladamente nas eleições em que foi candidato.