Depois que o ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse “sim” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT intensificou os movimentos para a formação da chapa ao governo de São Paulo, mas os petistas ainda observam os movimentos dos adversários antes de definir o nome do candidato a vice. Na visão de dirigentes do partido, a briga entre o MDB e o PSD pela vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pela reeleição pode provocar insatisfações e sequelas políticas.
Nessa hipótese, petistas acreditam que eventuais defecções na base de Tarcísio têm potencial para ampliar as alianças em torno do nome de Haddad. A forma como o governador tem conduzido as conversas, segundo essa avaliação, aponta para um desfecho de rompimento. Se ele escolher o PSD, perderá o MDB e vice-versa. “Vamos ver as consequências da escolha do vice do Tarcísio. É preciso esperar porque há uma disputa muito acirrada entre o MDB, o PSD e o PL”, disse, sob reserva, um petista diretamente envolvido das negociações.
A vaga de vice de Haddad seria usada para tentar alargar as alianças de Haddad para além do campo da esquerda, tarefa considerada ainda difícil. As alternativas seriam PSD e MDB, legendas que se encontram compromissadas com a candidatura à reeleição do governador e disputam a vaga.
Até o momento, uma das opções para vice na chapa do PT seria o ministro Márcio França (Empreendedorismo), que está interessado em concorrer ao Senado, depois que Haddad aceitou o pedido de candidatura ao Palácio dos Bandeirantes feito por Lula.
A espera pela decisão de Tarcísio e pelo possível reposicionamento das siglas têm influenciado ainda nas escolhas partidárias dos outros possíveis companheiros de chapa de Haddad. É o caso da ministra Simone Tebet (Planejamento), cotada para disputar uma vaga pelo Senado. Ela não conseguiu o aval do MDB, seu partido, para se candidatar por São Paulo, e estuda uma mudança de sigla. Se o MDB for preterido pelo governador, petistas enxergam uma chance de aproximação.
Outro nome cotado para o Senado é o da ministra Marina Silva (Meio Ambiente), que também faz movimentos para sair da Rede e tem conversado com o PSOL, PT e PDT.
Panos quentes
Diante das especulações sobre os efeitos da escolha de Tarcísio, tanto o MDB quanto o PSD trataram de amenizar o clima acirrado na semana passada. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que o apoio do MDB ao governador não dependerá da escolha a ser feita por ele. “Sem nenhuma condição o MDB está com o governador Tarcísio de Freitas e irá apoiar o governador Tarcísio de Freitas na sua eleição. Isso é um ponto pacífico que já está certo”, disse em coletiva de imprensa.
Kassab buscou desfazer os rumores de crise ao repostar um vídeo no qual o governador afirma que não há pressão por parte do presidente do PSD para que ele seja escolhido como vice em uma eventual chapa à reeleição ao governo de São Paulo.
Petistas de São Paulo ainda enxergam dificuldades na aproximação com Kassab, embora não descartem. O presidente do PSD é visto como o mais pragmático dos políticos envolvidos nessas conversas, mas as chances de rompimento com Tarcísio ainda são vistas com ceticismo. “Kassab é um negociador, ele pressiona para tentar conseguir as coisas, mas ele só sobrevive se estiver dentro de um governo. Em qualquer estado do Brasil, o PSD está no governo”, criticou um petista de São Paulo, que resiste à ideia de atrair o PSD em caso de ruptura com Tarcísio.
