O Conselho de Supervisão da Meta apontou, nesta terça-feira, 20, “falhas recorrentes” da empresa na moderação de conteúdo e na garantia da integridade eleitoral. Em comunicado, o órgão independente deu razão às queixas da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o que classificou como “excessos” nas restrições técnicas aplicadas a contas favoráveis ao petista. Embora não tenha concluído que houve interferência direta da controladora do Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads no pleito, o diagnóstico, divulgado a cinco dias do segundo turno, provocou reações nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro (PL), ainda que de maneiras distintas.

Entre os governistas, o efeito foi imediato. A campanha petista, que já estudava acionar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para pedir a cassação da chapa adversária por suposto favorecimento, ganhou um novo argumento. Em paralelo, aliados de Lula no Congresso passaram a esboçar uma ofensiva, ainda que tímida, pela instalação da “CPI da Meta”, a fim de investigar a atuação da big tech nas eleições. “CPI já! Não tenho a mínima dúvida de que há favorecimento. Inclusive prejudicando nossos militantes digitais e liberando o algoritmo dos adversários”, disse o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) ao PlatôBR. No Senado, a líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), acusou a Meta de promover “inaceitável interferência externa sobre as eleições”. “Estamos tratando de big techs, com enorme poder econômico e capacidade de influenciar o acesso à informação de milhões de brasileiros. Algoritmo não vota e não tem o direito de interferir na nossa democracia”, defendeu a petista.

Do outro lado da disputa, a ordem era esfriar o assunto para evitar desgastes a Flávio Bolsonaro na reta final da campanha. Aliados do presidenciável do PL ouvidos pelo PlatôBR defenderam que ele “mantenha distância” da controvérsia e evite novos comentários, a menos que a ação anunciada pelo PT seja, de fato, formalizada no TSE. Recentemente, a campanha de Flávio recorreu à Justiça Eleitoral para denunciar negligência da Meta na permissão de impulsionamento de anúncios negativos — prática vedada pela lei eleitoral. Até aqui, foi o senador do PL quem mais gastou com as plataformas da big tech: foram R$ 7,45 milhões só neste segundo turno, contra R$ 2,59 milhões despendidos por Lula. Dados parciais do TSE indicam que a Meta já recebeu R$ 290 milhões de partidos e candidatos durante as eleições.