Entre confetes, samba e serpentina, o Carnaval carioca tem um elemento adicional que vai além da festa. Neste ano, em especial, será palco também para a política. Um dos personagens que tradicionalmente transitam entre a passarela e os gabinetes é Washington Quaquá, vice‑presidente nacional do PT, prefeito de Maricá (RJ) e fundador de um camarote – o Favela – que costuma reunir políticos de Brasília, do Rio e de outras partes do Brasil. Quaquá falou ao PlatôBR sobre essa interação.

Diante dos questionamentos sobre uso de recursos públicos, inclusive com análise do TCU sobre o repasse à escola, o PT não teme que a homenagem ao presidente Lula na Sapucaí possa ser interpretada como campanha antecipada?
Outros presidentes da República já foram homenageados em escolas de samba, como Getúlio, JK. O presidente Lula é o maior líder popular da história do País e poderia ser enredo de qualquer escola. Nada mais justo que alguém que veio do povo como ele ser homenageado na maior manifestação popular do país. E a escola não foi beneficiada. Está recebendo o mesmo valor, que acho pouco, inclusive, para todas as outras do Grupo Especial. Quando deputado federal, fiz um projeto de lei, ainda em tramitação, que dará muito mais recurso para as escolas do que esse dado pela Embratur. Vejo essa homenagem com naturalidade e não acredito em maiores repercussões.

O Camarote Favela reúne todos os anos ministros, parlamentares, prefeitos e lideranças de diferentes partidos, misturando samba e política no mesmo espaço. Na prática, ele acabou virando também um ponto de articulação informal de poder? Que tipo de conversa ou acordo político costuma nascer ali que dificilmente aconteceria nos gabinetes?
No Camarote Favela recebemos todos os anos políticos, empresários, ministros, juízes, além de moradores e lideranças de favela. E um espaço democrático de encontros e alegrias. Claro que em ano de eleição a política ganha mais espaço nas conversas. Mas não falamos só disso, não. E temos muita escola de samba para ver também.

O que o ambiente de Carnaval tem de diferente e por que a folia facilita conversas e articulações que muitas vezes não acontecem nos espaços oficiais?
O Carnaval é a maior festa popular do país e uma das maiores de mundo. Então, é normal que várias personalidades, políticas ou não, estejam presentes. E, com tantas pessoas do mundo político juntas num mesmo ambiente, obviamente irão acontecer conversas e até alguns acordos. Faz parte do jogo político. A articulação política não é feita apenas nos gabinetes, mas também em mesas de bares, restaurantes, reuniões informais em casa e, também, durante o Carnaval, onde temos a oportunidade de unir duas de nossas maiores paixões.