O último governador eleito por um partido de esquerda na Região Sul foi Tarso Genro (PT), que terminou o mandato em 2014. Desde então, a direita venceu todas as eleições e se tornou hegemônica tanto nas disputas pelas chefias dos executivos estaduais quanto nas votações para presidente da República. Com esse histórico de desvantagem, os aliados do presidente Lula têm o difícil desafio de quebrar este ano a sequência de derrotas no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

As pesquisas eleitorais mostram que, mais uma vez, os candidatos conservadores são favoritos para os governos dos três estados. Nesse cenário adverso, os partidos do campo progressista tentam fechar acordos para conquistar cargos no Legislativo, principalmente no Senado, considerado prioridade pelos dois lados da polarização política que divide o país. Ainda em formação, as chapas estaduais levam em consideração o potencial eleitoral dos candidatos, mas ainda há muitas dúvidas sobre a viabilidade dos nomes e das alianças com outras legendas.

Um cabo eleitoral forte
Pela esquerda, a composição eleitoral começa a ser formada a partir das candidaturas ao Senado. O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) e o atual presidente de Itaipu Binacional, Enio Verri, querem disputar as duas vagas da chapa que seria puxada pelo deputado estadual Requião Filho (PDT), que quer ser o candidato ao governo e tem o apoio do PT. O desenho ainda não é definitivo. Caso Requião não seja o candidato, Verri também aceita disputar Palácio Iguaçu. O PT considera ter boas chances de eleger senadores no estado, no entanto, enxerga dificuldades na eleição para o governo devido à alta avaliação de Ratinho Júnior no governo.

Com boa aprovação, o governador é considerado um cabo eleitoral fortíssimo, mas ainda não emprestou seu prestígio a nenhum postulante à sua sucessão. Essa é a decisão mais aguardada pelos políticos do estado. Três pré-candidatos esperam sua bênção para disputar o Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná. Um deles é Rafael Greca (PSD), ex-prefeito de Curitiba e ex-ministro dos Esportes e do Turismo do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Também do PSD, Alexandre Curi (PSD), atual presidente da Assembleia Legislativa, gostaria de lançar seu nome ao governo com o apoio de Ratinho. Curi tem uma carreira sólida na política e pode se viabilizar devido à sua grande influência sobre os deputados estaduais e prefeitos de municípios do interior do estado. Outro nome do PSD, o secretário das Cidades de Guto Silva é considerado o preferido de Ratinho Junior, mas não tem mesma a influência de Curi sobre os parlamentares e prefeitos.

Outra variável é a candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) ao governo. E já anunciou a vontade de entrar no páreo, no entanto, não conseguiu apoio partidário. Os planos de Moro acabaram atravessados por um veto do PP, partido federado com o União Brasil e liderado no estado pelo deputado federal Ricardo Barros. De acordo com fontes próximas ao senador, ele não desistiu da disputa e avalia mudar de legenda para concorrer ao governo.

A candidatura do líder da oposição a Lula
No Rio Grande do Sul, o deputado Luciano Zucco (PL) larga como nome mais competitivo para o governo do campo da direita, que está mais organizada do que os adversários na formação das chapas. Zucco foi líder da oposição ao Planalto na Câmara até o final do ano passado e está confirmado como cabeça de chapa. O Novo deve indicar o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) para a disputa ao Senado.

O grupo ainda negocia com o Progressistas, que virou a peça mais cobiçada do tabuleiro por concentrar o maior tempo de TV e a maior capilaridade no interior do estado. Entre os nomes do PP que circulam para compor a chapa estão o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, o deputado federal Covatti Filho e o empresário Celso Rigo, figura popular no agro e no futebol gaúcho.

Apesar de ter origem bolsonarista, Zucco vem adotando uma estratégia de afastamento do discurso do ex-presidente. Nas manifestações mais recentes, praticamente não cita Bolsonaro, se mostra mais moderado e com falas ensaiadas, o que, na avaliação de aliados e adversários, ampliou seu potencial eleitoral. A leitura hoje é que ele é presença quase certa no segundo turno e que só ficaria pelo caminho se a rejeição ao bolsonarismo pesar de forma decisiva.

Do outro lado, a esquerda tenta costurar uma frente ampla para não chegar fragmentada. O PT trabalha com a pré-candidatura do presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento),  Edegar Pretto, ao governo, com o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e a ex-deputada Manuela d’Ávila (PSOL) como nomes para o Senado. PSOL e PSB também orbitam essa negociação.

O principal nó dessas conversas está no PDT: Juliana Brizola, neta do ex-governador Leonel Brizola, aparece bem nas pesquisas iniciais para o comando do estado, mas o PT tenta convencê-la a abrir mão da cabeça de chapa e aceitar a vaga de vice, formando uma aliança unificada. A aposta petista é que a esquerda só chega competitiva ao segundo turno se estiver toda no mesmo palanque.

No campo do centro, ou da “continuidade”, o MDB articula a candidatura do atual vice-governador, Gabriel Souza, com apoio do PSD e do União Brasil. O grupo também conversa com o Progressistas para a indicação do vice. O PSDB, por enquanto, lançou o prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, como pré-candidato, mas a tendência é usar o movimento como trunfo de negociação e acabar compondo com o MDB.

A situação do atual governador Eduardo Leite (PSD) segue como incógnita. Embora seja dado como quase certo na corrida ao Senado no meio político, ele não demonstra entusiasmo com a ideia e, com o volume de nomes fortes já colocados na disputa, cresce a avaliação de que pode acabar ficando fora da eleição majoritária.

Congestionamento para o Senado em Santa Catarina
Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL), na foto em destaque, pretende disputar a reeleição e aparece nas pesquisas como favorito. A chapa encabeçada pelo governador, no entanto, enfrenta um congestionamento pelas vagas para o Senado. A disputa virou um imbróglio no campo bolsonarista depois que Carlos Bolsonaro (PL) renunciou ao mandato de vereador no Rio de Janeiro para tentar concorrer pelo estado.

A decisão atravessou os planos do PL catarinense, que já tinha a deputada Caroline de Toni como nome forte para a corrida, além do senador Esperidião Amin, que busca a reeleição. A entrada de Carlos gerou resistência interna e críticas de aliados locais, que veem sua candidatura como a importação de um nome sem trajetória política no estado.

Com o espaço ameaçado dentro do próprio partido, Caroline de Toni passou a sinalizar que pode até deixar o PL para viabilizar sua candidatura ao Senado. A disputa escancarou um racha no bolsonarismo em Santa Catarina e abriu uma queda de braço sobre quem ficará com o apoio do ex-presidente na montagem da chapa de 2026.

Já no campo da centro-esquerda, o diretor-presidente do Sebrae e ex-prefeito de Blumenau, Décio Lima (PT), se prepara também para concorrer ao comando do estado. Ele disputa o segundo lugar com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que também quer se candidatar ao governo. Os nomes para o Senado ainda estão sendo negociados.