Aventada no STF (Supremo Tribunal Federal), a hipótese de Edson Fachin avocar para si a relatoria dos inquéritos do Banco Master e do INSS, ambos atualmente nas mãos de André Mendonça, vem gerando forte desconfiança entre ex-ministros da corte e lideranças da oposição, enquanto integrantes do governo se mostram céticos com a possibilidade de a medida produzir resultados práticos. O temor geral é de que a manobra, defendida pelo Planalto como uma forma de apaziguar os ânimos, pode gerar um efeito contrário ao planejado e aprofundar a inédita crise institucional.
A ideia passou a circular após uma reunião de Fachin com auxiliares no domingo, 6, quando se discutiu o caminho menos traumático para contornar a hecatombe. A estratégia passa por ganhar tempo por meio de uma morosidade calculada para empurrar o desfecho dos encaminhamentos de Mendonça e do ministro Alexandre de Moraes para depois das eleições de outubro. A decisão sobre o afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da PF (Polícia Federal), porém, atropelou os planos e Fachin se vê mais pressionado ainda a tomar uma atitude imediata.
Auxiliares dos ministros da corte e ex-integrantes do Supremo se dividem sobre a real disposição do presidente do STF em chamar para si a responsabilidade. Há quem afirme categoricamente que “isso não vai ocorrer”, apostando que Fachin evitará protagonizar pessoalmente a punição a um colega. A saída, nesse caso, seria levar a questão para o plenário solucionar. “Ficou insustentável”, avaliou um ex-ministro do tribunal, sob reserva. Outros entendem que a retirada dos dois casos das mãos de Mendonça é um caminho “válido” desde que venha acompanhado de um preço institucional equivalente para o outro lado da crise — exigindo de Fachin, portanto, o mesmo rigor com Moraes.
A oposição compartilha do ceticismo e vê na manobra um “remédio capaz de piorar o paciente”. Pelo diagnóstico, qualquer arranjo que não trate Mendonça e Moraes com a mesma régua tende a inflamar ainda mais o ambiente político-institucional. “Fachin vai tirar as relatorias do Alexandre de Moraes? Vai encerrar o inquérito das fake news?”, indagou uma liderança da oposição em conversa com o PlatôBR. “Quem está sob suspeita é Moraes, e não Mendonça”, esbravejou um senador. As indagações encontram eco até mesmo na base governista, com a percepção dominante de que, se confirmado o encaminhamento de Fachin, “o escândalo não vai desaparecer” e de que o movimento poderia ser interpretado, inclusive, como “um golpe”.

